História Infantil

Qual criança não gosta de uma boa história infantil? Uma história envolvente é capaz de embalar grandes fantasias no mundo infantil.

Aqui as melhores HISTÓRIAS INFANTIS: várias histórinhas para contar para seu filho. Além dos jogos da Dora, aqui você encontra várias histórias para se contar!! 

  • A Bela e a Fera

    A Bela e a Fera

    Era uma vez um jovem príncipe que vivia no seu lindo castelo. Apesar de toda a sua riqueza ele era muito egoísta e não tinha amigos.
    Numa noite chuvosa recebeu a visita de uma velhinha que lhe pediu abrigo só por aquela noite.
    Com um enorme mal humor ele se recusou a ajudar a velhinha. Porém, o que ele não sabia é que aquela velhinha era uma bruxa disfarçada, que já ouvira diversas histórias sobre o egoísmo daquele jovem príncipe. Indignada com a sua atitude, ela lançou sobre ele um feitiço que o transformara numa fera horrível. Todos os seu criados haviam se transformado em objetos. O encanto só poderia ser desfeito se ele recebesse um beijo de amor.
    Enquanto isso, numa vila distante dali, vivia um comerciante com sua filha chamada Bela. Eles eram pobres, mas muito felizes.
    Bela adorava livros, histórias, vivia a contá-las para as crianças da vila. Seu pai, Maurício, era comerciante e viajava muito comparando e vendendo seus produtos diversos.
    Um dia voltando de uma longa viajem, Maurício foi pego de surpresa por uma forte tempestade, passou em frente a um castelo que parecia abandonado e resolveu pedir acolhida. Bateu à porta, mas ninguém o atendeu. Como a porta do castelo estava aberta resolveu entrar se proteger da chuva. Acendeu a lareira e encontrou uma garrafa de vinho sobre a mesma. Após bebê-la acabou adormecendo. No dia seguinte uma Fera furiosa apareceu diante dele. Quis castigá-lo por invadir o seu castelo e assim, o fez prisioneiro.
    A Fera decretou ao velho comerciante que este morreria por tal invasão. Aterrorizado, o pobre homem suplicou:
    __ Deixa que me despeça da minha filha.
    A Fera concedeu-lhe o pedido. De volta a sua casa, contou o ocorrido a sua filha. Sem medo, ela decidiu voltar ao palácio com o pai.
    Uma vez no palácio da Fera, Bela tomou coragem e fez uma proposta:
    - Deixa meu pai ir embora. Eu ficarei no lugar dele.
    A Fera concordou, e o pobre comerciante foi embora desolado.
    A jovem permaneceu com a Fera no castelo, mas não era mantida na prisão, podia ficar em um quarto ou na biblioteca, local que muito a agradava.
    Bela tinha medo de morrer, mas percebia que a Fera a tratava bem a cada dia que passava.

    Com o passar do tempo o monstro e a Bela foram ficando mais amigos. Ele se encantava com a forma que a moça via o mundo, as pessoas a natureza. Sentia que ela o via de uma forma diferente, além da sua aparência.
    A Fera enfim havia se apaixonado, de verdade. Numa noite, ao jantarem, pediu-a em casamento. Bela não aceitou, mas ofereceu sua amizade.
    Apesar da tristeza, a Fera, aceitou o desejo da Bela.
    Bela , por sua vez, passava dias muito agradáveis no castelo, sentia-se bem lá, porém com muitas saudades do seu pobre pai.
    Certo dia dia, Bela pediu permissão à Fera para visitar o seu pai.
    - Voltarei logo - prometeu.
    A Fera, que nada lhe podia negar, a deixou partir. Bela passou muitos dias cuidando de seu pai, que estava doente, tinha envelhecido de tristeza pensando que tinha perdido a filha para sempre.
    Quando Bela retornou ao palácio, encontrou a Fera no chão meio morta de saudade por sua ausência. Então Bela soube o quanto era amada.
    Bela se desesperou, também sentia um algo forte pela Fera. Amizade, amor compaixão.
    - Não morras, caso-me contigo - disse-lhe chorando.
    Comovida, a Bela beijou a Fera... e nesse momento o monstro transformou-se num belo príncipe. Enfim, o encanto havia se desfeito. A Fera encontrou alguém que o amava de verdade, além da sua aparência grotesca.
    Afinal, a verdadeira beleza está no coração.

  • A Cigarra e a Formiga

    A Cigarra e a Formiga

    Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque, sem se preocupar com o futuro. Esbarrando numa formiguinha, que carregava uma folha pesada, perguntou:
    - Ei, formiguinha, para que todo esse trabalho? O verão é para gente aproveitar! O verão é para gente se divertir!
    - Não, não, não! Nós, formigas, não temos tempo para diversão. É preciso trabalhar agora para guardar comida para o inverno.
    Durante o verão, a cigarra continuou se divertindo e passeando por todo o bosque. Quando tinha fome, era só pegar uma folha e comer.
    Um belo dia, passou de novo perto da formiguinha carregando outra pesada folha.

    A cigarra então aconselhou:
    - Deixa esse trabalho para as outras! Vamos nos divertir. Vamos, formiguinha, vamos cantar! Vamos dançar!
    A formiguinha gostou da sugestão. Ela resolveu ver a vida que a cigarra levava e ficou encantada. Resolveu viver também como sua amiga.
    Mas, no dia seguinte, apareceu a rainha do formigueiro e, ao vê-la se divertindo, olhou feio para ela e ordenou que voltasse ao trabalho. Tinha terminado a vidinha boa.
    A rainha das formigas falou então para a cigarra:
    - Se não mudar de vida, no inverno você há de se arrepender, cigarra! Vai passar fome e frio.
    A cigarra nem ligou, fez uma reverência para rainha e comentou:
    - Hum!! O inverno ainda está longe, querida!
    Para cigarra, o que importava era aproveitar a vida, e aproveitar o hoje, sem pensar no amanhã. Para que construir um abrigo? Para que armazenar alimento? Pura perda de tempo.
    Certo dia o inverno chegou, e a cigarra começou a tiritar de frio. Sentia seu corpo gelado e não tinha o que comer. Desesperada, foi bater na casa da formiga.
    Abrindo a porta, a formiga viu na sua frente a cigarra quase morta de frio.
    Puxou-a para dentro, agasalhou-a e deu-lhe uma sopa bem quente e deliciosa.
    Naquela hora, apareceu a rainha das formigas que disse à cigarra: - No mundo das formigas, todos trabalham e se você quiser ficar conosco, cumpra o seu dever: toque e cante para nós.
    Para cigarra e paras formigas, aquele foi o inverno mais feliz das suas vidas.

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  • A Lebre e a Tartaruga

    A Lebre e a Tartaruga

    Era uma vez... uma lebre e uma tartaruga.
    A lebre vivia caçoando da lerdeza da tartaruga.
    Certa vez, a tartaruga já muito cansada por ser alvo de gozações, desafiou a lebre para uma corrida.
    A lebre muito segura de si, aceitou prontamente.
    Não perdendo tempo, a tartaruga pois-se a caminhar, com seus passinhos lentos, porém, firmes.
    Logo a lebre ultrapassou a adversária, e vendo que ganharia fácil, parou e resolveu cochilar.
    Quando acordou, não viu a tartaruga e começou a correr.
    Já na reta final, viu finalmente a sua adversária cruzando a linha de chegada,, toda sorridente.

    Moral da história: Devagar se vai ao longe!

  • A Pequena Sereia

    A Pequena Sereia

    A Pequena Sereia era a filha caçula do rei Tritão, era uma sereia diferente das outras cinco irmãs. Era muito quieta, não era difícil vê-la distante e pensativa.
    Desde os dez anos, a Pequena Sereia guardava uma estátua de um jovem príncipe que havia encontrado num navio naufragado. Passava às vezes horas contemplando a estátua, que aguçava ainda mais sua vontade de conhecer o mundo da superfície. Porém esse seu desejo só poderia ser realizado quando completasse quinze anos, nessa idade é dada a permissão para as sereias nadarem até a superfície do mar.
    Para a Pequena Sereia esse dia especial parecia nunca chegar. Ela acompanhava a cada ano, os quinze anos de cada uma das suas irmãs, ansiosa para que o seu dia chegasse em breve também, e escutava atenta o relato de cada uma delas sobre tudo aquilo que viram.
    As irmãs contavam sobre os barulhos da cidade, as luzes, o céu, os pássaros, sobre as pessoas, animais, eram tantas as novidades que só aumentava o desejo da Pequena Sereia de conhecer aquele mundo.
    A Pequena Sereia queria ver as cores douradas que surgiam no céu, quando o sol de escondia no horizonte. A chuva, com as nuvens cor de chumbo. Conhecer o arco-íris, as flores, as montanhas, as plantas.
    Às vezes as cinco irmãs subiam juntas à superfície para passear, e a Pequena sereia ficava triste em seu quarto, no castelo, sentia uma enorme angústia e uma coisa estranha, parecia ter vontade de chorar, embora as sereias não chorem, pois não têm lágrimas.
    Até que o dia tão esperado chegou, o coração da Pequena Sereia saltitava de felicidade. Recebeu de presente da sua avó um colar de pérolas, símbolo da realeza.
    A pequena sereia chegou à superfície na hora do pôr–do-sol. O céu estava dourado com nuvens rosadas. Ela ficou maravilhada com o que via.
    Ela avistou um grande navio com três mastros e nadou até ele. O céu escureceu e no navio foram acesas centenas de lanternas coloridas. A sereiazinha nadou contornando o navio e, pela escotilha do salão viu pessoas alegres, dançando. Um rapaz em especial, chamou-lhe atenção.
    Passadas algumas horas, o vento começou a soprar forte. A lua e as estrelas sumiram do céu e começaram a surgir trovões e relâmpagos.
    O mar estava revolto, ondas gigantescas atacavam o navio. Os marujos assustados, retiraram as velas do navio. As pessoas gritavam assustadas. O navio balançava muito, até que uma onda gigantesca o tombou para o lado. A escuridão foi total.
    Um raio iluminou o céu e a Pequena Sereia viu pessoas gritando e tentando se salvar nadando.
    De repente a sereiazinha viu o príncipe. Ele estava se afogando. Ela sentia que tinha que ajudá-lo. Ela nadou entre os destroços do navio e o alcançou.
    O jovem príncipe estava desmaiado. Ela segurou firmemente, mantendo a cabeça dele para fora da água, e flutuou com ele até a tempestade passar.
    Ao raiar do sol, a sereiazinha verificou que o príncipe respirava tranqüilamente. Ela ficou aliviada em ver que ele estava bem, ficou tão contente que o beijou. Nadou com ele até uma praia, o dentou na areia e escondeu-se atrás das rochas.
    Ela viu que existia algumas casinhas por perto, certamente alguém o encontraria.
    Logo uma jovem apareceu na praia e foi caminhando na direção do rapaz. O , que até então, estava desmaiado acordou e sorriu para a moça. A moça correu para buscar ajuda e em pouco tempo o príncipe foi levado ao vilarejo.
    A sereiazinha ficou aliviada por ter salvado o jovem, mas ficou triste pois temia não vê-lo novamente.
    A Pequena Sereia voltou para o seu castelo no fundo do mar. As irmãs a encontraram triste e quieta. Após longa insistência das irmãs, a sereiazinha contou-lhes toda a sua aventura.
    Uma das irmãs sabia quem era o príncipe e sabia que ele morava em um castelo à beira-mar.
    As seis sereias nadaram até lá. Esconderam-se atrás de uns rochedos, esperaram até que viram o príncipe e viram que ele estava bem.
    A pequena sereia pensava muito no jovem príncipe. Ela daria sua vida para ser humana e encontrar-se com o príncipe nem que fosse só por um dia.
    Seu pai, o rei Tritão estava preocupado com a filha, nem as festas no palácio alegravam a jovem sereia. Ela nem cantava mais nas festas, todos adoravam ouvi-la cantar, sua voz era linda.
    Numa noite, a Pequena Sereia tomou uma decisão: foi procurar a feiticeira do mar.
    A feiticeira é uma bruxa, mora no meio dos redemoinhos, cercada de plantas cheias de espinhos e animais peçonhento e perigosos.
    A sereiazinha acreditava que a única pessoa capaz de ajudá-la a transformar-se em humana, seria a feiticeira.

    A feiticeira concordou em lhe dar duas pernas, mas a sereiazinha só se tornaria humana se o príncipe se apaixonasse e casasse com ela. Avisou que a sereiazinha sentiria terríveis dores nas pernas par ao resto da vida e nunca mais poderia voltas ao fundo do mar. Caso o príncipe não se apaixonasse por ela e casasse com outra moça, depois da noite do casamento, o primeiro raio de sol transformaria a Pequena Sereia em espuma.
    A sereiazinha ficou assustada, mas aceitou correr o risco, pois queria estar com o seu amado.
    Em troca dos serviços da feiticeira, a jovem lhe daria a sua voz.
    Mesmo assim, a sereiazinha aceitou a proposta, estava decidida a tentar.
    A feiticeira deu-lhe um frasco contendo a poção que lhe daria as pernas .Em seguida roubou-lhe a voz.
    A sereiazinha não se despediu de ninguém, nadou em direção ao palácio do príncipe. Foi então, que ela tomou a poção dada pela feiticeira. Imediatamente sentiu terríveis dores como se punhais lhe rasgassem a cauda.
    A dor foi tamanha que a jovem não agüentou e desmaiou.
    Quando amanheceu, a princesa acordou, na praia, ao seu lado estava o príncipe, olhando-a curioso e preocupado.
    A sereiazinha percebeu que estava sem roupa, e possuía duas pernas no lugar de sua cauda. Cobriu-se então com seus longos cabelos.
    O príncipe quis saber seu nome e o que acontecera. Porém, a jovem não conseguia falar, não tinha mais sua voz.
    O príncipe a levou para o palácio, onde foi cuidada e alimentada. A sereiazinha passou a viver feliz naquele lugar ao lado do príncipe. Sofria terríveis dores sempre que andava, era como se algo furasse seus pés. Mas nada era superior a sua felicidade em estar com o seu amado.
    Cada dia que passava, o príncipe gostava mais da pequena sereia, As pessoas do palácio também se encantavam com a pequena sereia. Porém o coração do príncipe e seus pensamentos pertenciam à jovem que o encontrara na praia, ele achava que ela o havia salvo.
    Um dia a pequena sereia descobriu que o rei planejava casar o príncipe com a filha do rei vizinho. Eles fariam uma viagem de navio para conhecer a futura noiva.
    A pequena sereia ficou muito triste, se o príncipe se casasse com outra ela morreria. Ficou cheia de esperança quando o jovem príncipe lhe confidenciou que nãos e casaria com a jovem escolhida pelo seu pai, pois já amava outra moça.
    A sereiazinha acompanhou a família real na viagem.
    Na hora em que conheceu a futura noiva, o príncipe ficou encantado, era a mesma moça da praia.
    A pequena sereia viu que o príncipe estava apaixonado. Naquela mesma noite ele casou-se com a jovem princesa, a moça da praia.
    Enquanto todos festejavam, a princesa sofria de tristeza. Foi então para o convés observar o mar. Nesse momento ela viu suas irmãs, todas de cabelos curtos.
    Deram seus cabelos à feiticeira em troca de um punhal mágico. A Pequena Sereia precisaria matar seu amado com aquele punhal, antes do amanhecer, assim, poderia voltar a ser sereia e viver no fundo do mar.
    A sereiazinha muito triste pegou o punhal, foi até o quarto do príncipe e vendo-o dormindo tranqüilo ao lado da sua esposa, saiu correndo dali.
    A sereiazinha tinha um coração bom, e seu amor era verdadeiro, não poderia jamais matar o seu amado. Sendo assim, ela se dirigiu ao convés do navio, já estava amanhecendo. A sereiazinha, então, atirou-se no mar, no mesmo instante o primeiro raio de sol surgiu no horizonte, e assim o feitiço se realizou, a Pequena Sereia virou espuma branca do mar.

  • João e Maria

    João e Maria

    Às margens de uma extensa mata existia, há muito tempo, uma cabana pobre, feita de troncos de árvore, na qual morava um lenhador com sua segunda esposa e seus dois filhinhos, nascidos do primeiro casamento. O garoto chamava-se João e a menina, Maria.
    A vida sempre fora difícil na casa do lenhador, mas naquela época as coisas haviam piorado ainda mais: não havia comida para todos.
    — Minha mulher, o que será de nós? Acabaremos todos por morrer de necessidade. E as crianças serão as primeiras…
    — Há uma solução… — disse a madrasta, que era muito malvada. — Amanhã daremos a João e Maria um pedaço de pão, depois os levaremos à mata e lá os abandonaremos.
    O lenhador não queria nem ouvir falar de um plano tão cruel, mas a mulher, esperta e insistente, conseguiu convencê-lo.
    No aposento ao lado, as duas crianças tinham escutado tudo, e Maria desatou a chorar.
    — Não chore — tranqüilizou-a o irmão — Tenho uma idéia.
    Esperou que os pais estivessem dormindo, saiu da cabana, catou um punhado de pedrinhas brancas que brilhavam ao clarão da lua e as escondeu no bolso. Depois voltou para a cama.
    No dia seguinte, ao amanhecer, a madrasta acordou as crianças.
    As crianças foram com o pai e a madrasta cortar lenha na floresta e lá foram abandonadas.
    João havia marcado o caminho com as pedrinhas e, ao anoitecer, conseguiram voltar para casa.
    O pai ficou contente, mas a madrasta, não. Mandou-os dormir e trancou a porta do quarto. Como era malvada, ela planejou levá-los ainda mais longe no dia seguinte.
    João ouviu a madrasta novamente convencendo o pai a abandoná-los, mas desta vez não conseguiu sair do quarto para apanhar as pedrinhas, pois sua madrasta havia trancado a porta. Maria desesperada só chorava. João pediu-lhe para ficar calma e ter fé em Deus.
    Antes de saírem para o passeio, receberam para comer um pedaço de pão velho. João, em vez de comer o pão, guardou-o.
    Ao caminhar para a floresta, João jogava as migalhas de pão no chão, para marcar o caminho da volta.
    Chegando a uma clareira, a madrasta ordenou que esperassem até que ela colhesse algumas frutas, por ali. Mas eles esperaram em vão. Ela os tinha abandonado mesmo!
    - Não chore Maria, disse João. Agora, só temos é que seguir a trilha que eu fiz até aqui, e ela está toda marcada com as migalhas do pão.
    Só que os passarinhos tinham comido todas as migalhas de pão deixadas no caminho.

    As crianças andaram muito até que chegaram a uma casinha toda feita com chocolate, biscoitos e doces. Famintos, correram e começaram a comer.
    De repente, apareceu uma velhinha, dizendo: - Entrem, entrem, entrem, que lá dentro tem muito mais para vocês.
    Mas a velhinha era uma bruxa que os deixou comer bastante até cairem no sono e confortáveis caminhas.
    Quando as crianças acordaram, achavam que estavam no céu, parecia tudo perfeito.
    Porém a velhinha era uma bruxa malvada que e aprisionou João numa jaula para que ele engordasse. Ela queria devorá-lo bem gordo. E fez da pobre e indefesa Maria, sua escrava.
    Todos os dias João tinha que mostrar o dedo para que ela sentisse se ele estava engordando. O menino, muito esperto, percebendo que a bruxa enxergava pouco, mostrava-lhe um ossinho de galinha. E ela ficava furiosa, reclamava com Maria:
    - Esse menino, não há meio de engordar.
    - Dê mais comida para ele!
    Passaram-se alguns dias até que numa manhã assim que a bruxa acordou, cansada de tanto esperar, foi logo gritando:
    - Hoje eu vou fazer uma festança.
    - Maria, ponha um caldeirão bem grande, com água até a boca para ferver.
    - Dê bastante comida paro seu o irmão, pois é hoje que eu vou comê-lo ensopado.
    Assustada, Maria começou a chorar.
    — Acenderei o forno também, pois farei um pão para acompanhar o ensopado. Disse a bruxa.
    Ela empurrou Maria para perto do forno e disse:
    _Entre e veja se o forno está bem quente para que eu possa colocar o pão.
    A bruxa pretendia fechar o forno quando Maria estivesse lá dentro, para assá-la e comê-la também. Mas Maria percebeu a intenção da bruxa e disse:
    - Ih! Como posso entrar no forno, não sei como fazer?
    - Menina boba! disse a bruxa. Há espaço suficiente, até eu poderia passar por ela.
    A bruxa se aproximou e colocou a cabeça dentro do forno. Maria, então, deu-lhe um empurrão e ela caiu lá dentro . A menina, então, rapidamente trancou a porta do forno deixando que a bruxa morresse queimada.
    Mariazinha foi direto libertar seu irmão.
    Estavam muito felizes e tiveram a idéia de pegarem o tesouro que a bruxa guardava e ainda algumas guloseimas .
    Encheram seus bolsos com tudo que conseguiram e partiram rumo a floresta.
    Depois de muito andarem atravessaram um grande lago com a ajuda de um cisne.
    Andaram mais um pouco e começaram a reconhecer o caminho. Viram de longe a pequena cabana do pai.
    Ao chegarem na cabana encontraram o pai triste e arrependido. A madrasta havia morrido de fome e o pai estava desesperado com o que fez com os filhos.
    Quando os viu, o pai ficou muito feliz e foi correndo abraça-los. Joãozinho e Maria mostraram-lhe toda a fortuna que traziam nos seus bolsos, agora não haveria mais preocupação com dinheiro e comida e assim foram felizes para sempre.

  •  A Raposa e as Uvas

    A Raposa e as Uvas

    Uma raposa passou embaixo de uma parreira carregada de lindas uvas.
    Ficou com muita vontade de comer aquelas uvas.
    Deu muitos saltos, tentou subir na parreira, mas não conseguiu.
    Depois de muito tentar foi-se embora, dizendo:
    — Eu nem estou ligando para as uvas. Elas estão verdes,mesmo…

  •  Cinderela

    Cinderela

    Há muito tempo, aconteceu que a esposa de um rico comerciante adoeceu gravemente e, sentindo seu fim se aproximar, chamou sua única filha e disse:
    __Querida filha, continue piedosa e boa menina que Deus a protegerá sempre. Lá do céu olharei por você, e estarei sempre a seu lado.Mal acabou de dizer isso, fechou os olhos e morreu.
    A jovem ia todos os dias visitar o túmulo da mãe, sempre chorando muito.
    Veio o inverno, e a neve cobriu o túmulo com seu alvo manto.
    Chegou a primavera, e o sol derreteu a neve. Foi então que o viúvo resolveu se casar outra vez.
    A nova esposa trouxe suas duas filhas, ambas bonitas, mas só exteriormente. As duas tinham a alma feia e cruel.
    A partir desse momento, dias difíceis começaram para a pobre enteada.
    __ Essa imbecil não vai ficar no quarto conosco! _Reclamaram as moças.
    __ O lugar dela é na cozinha! Se quiser comer pão, que trabalhe!
    Tiraram-lhe o vestido bonito que ela usava, obrigaram-na a vestir outro, velho e desbotado, e a calçar tamancos.
    __Vejam só como está toda enfeitada, a orgulhosa princesinha de antes! -disseram a rir, levando-a para a cozinha.
    A partir de então, ela foi obrigada a trabalhar, da manhã à noite, nos serviços mais pesados.
    Era obrigada a se levantar de madrugada, para ir buscar água e acender o fogo. Só ela cozinhava e lavava para todos.
    Como se tudo isso não bastasse, as irmãs caçoavam dela e a humilhavam.
    Espalhavam lentilhas e feijões nas cinzas do fogão e obrigavam-na a catar um a um.
    À noite, exausta de tanto trabalhar, a jovem não tinha onde dormir e era obrigada a se deitar nas cinzas do fogão. E, como andasse sempre suja e cheia de cinza, só a chamavam de Cinderela.
    Uma vez, o pai resolveu ir a uma feira. Antes de sair, perguntou às enteadas o que desejavam que ele trouxesse.
    __Vestidos bonitos- disse uma.
    __ Pérolas e pedras preciosas - disse a outra.
    __E você, Cinderela, o que vai querer? - perguntou o pai.
    __No caminho de volta, pai, quebre o primeiro ramo que bater no seu chapéu e traga-o para mim.
    Ele partiu para a feira, comprou vestidos bonitos para uma das enteadas, pérolas e pedras preciosas para a outra e, de volta para casa, quando cavalgava por um bosque, um ramo de aveleira bateu no seu chapéu. Ele quebrou o ramo e levou-o.
    Chegando em casa, deu às enteadas o que haviam pedido e à Cinderela, o ramo de aveleira.
    Ela agradeceu, levou o ramo para o túmulo da mãe, plantou-o ali, e chorou tanto que suas lágrimas regaram o ramo. Ele cresceu e se tornou uma aveleira linda.
    Três vezes, todos os dias, a menina ia chorar e rezar embaixo dela.
    Sempre que a via chegar, um passarinho branco voava para a árvore e, se a ouvia pedir baixinho alguma coisa, jogava-lhe o que ela havia pedido.
    Um dia, o rei mandou anunciar uma festa, que duraria três dias.
    Todas as jovens bonitas do reino seriam convidadas, pois o filho dele queria escolher entre elas aquela que seria sua futura esposa.
    Quando souberam que também deveriam comparecer, as duas filhas da madrasta ficaram contentíssimas.
    __Cinderela! - Gritaram.__ Venha pentear nosso cabelo, escovar nossos sapatos e nos ajudar a vestir, pois vamos a uma festa no castelo do rei!
    Cinderela obedeceu chorando, porque ela também queria ir ao baile. Perguntou à madrasta se poderia ir, e esta respondeu:
    __Você, Cinderela! Suja e cheia de pó, está querendo ir à festa? Como vai dançar, se não tem roupa nem sapatos?
    Mas Cinderela insistiu tanto, que afinal ela disse:
    __ Está bem. Eu despejei nas cinzas do fogão um tacho cheio de lentilhas. Se você conseguir catá-las todas em duas horas, poderá ir.
    A jovem saiu pela porta dos fundos, correu para o quintal e chamou:
    __ Mansas pombinhas e rolinhas!
    Passarinhos do céu inteiro!
    Venham me ajudar a catar lentilhas!
    As boas vão para o tacho!
    As ruins para o seu papo!
    Logo entraram pela janela da cozinha duas pombas brancas; a seguir, vieram as rolinhas e, por último, todos os passarinhos do céu chegaram numa revoada e pousaram nas cinzas.
    As pombas abaixavam a cabecinha e pic, pic, pic, apanhavam os grãos bons e deixavam cair no tacho. As outras avezinhas faziam o mesmo. Não levou nem uma hora, o tacho ficou cheio e as aves todas voaram para fora.
    Cheia de alegria, a menina pegou o tacho e levou para a madrasta, certa de que agora poderia ir à festa. Porém a madrasta disse:
    __ Não, Cinderela. Você não tem roupa e não sabe dançar. Só serviria de caçoada para os outros.
    Como a menina começou a chorar, ela propôs:
    __Se você conseguir catar dois tachos de lentilhas nas cinzas em uma hora, poderá ir conosco.
    Enquanto isso, pensou consigo mesma: “Isso ela não vai conseguir…”
    Assim que a madrasta acabou de espalhar os grãos nas cinzas, Cinderela correu para o quintal e chamou:
    __ Mansas pombinhas e rolinhas!
    Passarinhos do céu inteiro!
    Venham me ajudar a catar lentilhas!
    As boas vão para o tacho!
    As ruins para o seu papo!
    E entraram pela janela da cozinha duas pombas brancas; a seguir vieram as rolinhas e, por último, todos os passarinhos do céu chegaram numa revoada e pousaram nas cinzas.
    As pombas abaixavam a cabecinha e pic, pic, pic, apanhavam os grãos bons e deixavam cair no tacho. Os outros pássaros faziam o mesmo. Não passou nem meia hora, e os dois tachos ficaram cheios. As aves se foram voando pela janela.
    Então, a menina levou os dois tachos para a madrasta, certa de que, desta vez, poderia ir à festa.
    Porém, a madrasta disse:
    __ Não adianta, Cinderela! Você não vai ao baile! Não tem vestido, não sabe dançar e só nos faria passar vergonha!

    E, dando-lhe as costas, partiu com suas orgulhosas filhas.
    Quando ficou sozinha, Cinderela foi ao túmulo da mãe e embaixo da aveleira, disse:
    __ Balance e se agite,
    árvore adorada,
    cubra-me toda
    de ouro e prata!
    Então o pássaro branco jogou para ela um vestido de ouro e prata e sapatos de seda bordada de prata. Cinderela se vestiu, a toda pressa, e foi para a festa.
    Estava tão linda, no seu vestido dourado, que nem as irmãs, nem a madrasta a reconheceram. Pensaram que fosse uma princesa estrangeira, para elas, Cinderela só poderia estar em casa, catando lentilhas nas cinzas.
    Logo que a viu, o príncipe veio a seu encontro e, pegando-lhe a mão, levou-a para dançar. Só dançou com ela, sem largar de sua mão por um instante.
    Quando alguém a convidava para dançar, ele dizia:
    __ Ela é minha dama.
    Dançaram até altas horas da noite e, até que Cinderela quis voltar para casa.
    __ Eu a acompanho - disse o príncipe. Na verdade, ele queria saber a que família ela pertencia.
    Mas Cinderela conseguiu escapar dele, correu para casa e se escondeu no pombal. O príncipe esperou o pai dela chegar e contou-lhe que a jovem desconhecida tinha saltado para dentro do pombal.
    “Deve ser Cinderela…”, pensou o pai. E mandou vir um machado para arrombar a porta do pombal. Mas não havia ninguém lá dentro.
    Quando chegaram em casa, encontraram Cinderela com suas roupas sujas, dormindo nas cinzas, à luz mortiça de uma lamparina.
    A verdade é que, assim que entrou no pombal, a menina saiu pelo lado de trás e correu para a aveleira. Ali, rapidamente tirou seu belo vestido e deixou-o sobre o túmulo. Veio o passarinho, apanhou o vestido e levou-o. Ela vestiu novamente seu vestidinho velho e sujo, correu para casa e se deitou nas cinzas da cozinha.
    No dia seguinte, o segundo dia da festa, quando os pais e as irmãs partiram para o castelo, Cinderela foi até a aveleira e disse:
    __ Balance e se agite,
    árvore adorada,
    cubra-me toda
    de ouro e prata!
    E o pássaro atirou para ela um vestido ainda mais bonito que o da véspera. Quando ela entrou no salão assim vestida, todos ficaram pasmados com sua beleza.
    O príncipe, que a esperava, tomou-lhe a mão e só dançou com ela. Quando alguém convidava a jovem para dançar, ele dizia:
    __ Ela é minha dama.
    Já era noite avançada quando Cinderela quis ir embora.
    O príncipe seguiu-a, para ver em que casa entraria.
    A jovem seguiu seu caminho e, inesperadamente, entrou no quintal atrás da casa.
    Ágil como um esquilo, subiu pela galharia de uma frondosa pereira carregada de frutos que havia ali. O príncipe não conseguiu descobri-la e, quando viu o pai dela chegar, disse:
    __ A moça desconhecida escondeu-se nessa pereira.
    “Deve ser Cinderela”, pensou o pai. Mandou buscar um machado e derrubou a pereira. Mas não encontraram ninguém na galharia.
    Como na véspera, Cinderela já estava na cozinha dormindo nas cinzas, pois havia escorregado pelo outro lado da pereira, correra para a aveleira, e devolvera o lindo vestido ao pássaro. Depois, vestiu o feio vestidinho de sempre, e correu para casa.
    No terceiro dia, assim que os pais e as irmãs saíram para a festa, Cinderela foi até o túmulo da mãe e pediu à aveleira:
    __ Balance e se agite,
    árvore adorada,
    cubra-me toda
    de ouro e prata!
    E o pássaro atirou-lhe o vestido mais suntuoso e brilhante jamais visto, acompanhado de um par de sapatinhos de puro ouro.
    Ela estava tão linda, tão linda, que, quando chegou ao castelo, todos emudeceram de assombro. O príncipe só dançou com ela e, como das outras vezes, dizia a todos que vinham tirá-la para dançar:
    __ Ela é minha dama.
    Já era noite alta, quando Cinderela quis voltar para casa. O príncipe tentou segui-la, mas ela escapuliu tão depressa, que ele não pode alcançá-la.
    Dessa vez, porém, o príncipe usara um estratagema: untou com piche um degrau da escada e, quando a moça passou, o sapato do pé esquerdo ficou grudado. Ela deixou-o ali e continuou correndo.
    O príncipe pegou o sapatinho: era pequenino, gracioso e todo de ouro.
    No outro dia, de manhã, ele procurou o pai e disse:
    __ Só me casarei com a dona do pé que couber neste sapato.
    As irmãs de Cinderela ficaram felizes e esperançosas quando souberam disso, pois tinham pés delicados e bonitos.
    Quando o príncipe chegou à casa delas, a mais velha foi para o quarto acompanhada da mãe e experimentou o sapato. Mas, por mais que se esforçasse, não conseguia meter dentro dele o dedo grande do pé. Então, a mãe deu-lhe uma faca, dizendo:
    __ Corte fora o dedo. Quando você for rainha, vai andar muito pouco a pé.
    Assim fez a moça. O pé entrou no sapato e, disfarçando a dor, ela foi ao encontro do príncipe. Ele recebeu-a como sua noiva e levou-a na garupa do seu cavalo.
    Quando passavam pelo túmulo da mãe de Cinderela, que ficava bem no caminho, duas pombas pousaram na aveleira e cantaram:
    __ Olhe para trás! Olhe para trás!
    Há sangue no sapato,
    que é pequeno demais!
    Não é a noiva certa
    que vai sentada atrás!
    O príncipe virou-se, olhou o pé da moça e logo viu o sangue escorrendo do sapato. Fez o cavalo voltar e levou-a para a casa dela.
    Chegando lá, ordenou à outra filha da madrasta que calçasse o sapato. Ela foi para o quarto e calçou-o. Os dedos do pé entraram facilmente, mas o calcanhar era grande demais e ficou de fora. Então, a mãe deu-lhe uma faca dizendo:
    __ Corte fora um pedaço do calcanhar. Quando você for rainha, vai andar muito pouco a pé.
    Assim fez a moça. O pé entrou no sapato e, disfarçando a dor, ela foi ao encontro do príncipe. Ele aceitou-a como sua noiva e levou-a na garupa do seu cavalo.
    Quando passavam pela aveleira, duas pombinhas pousaram num dos ramos e cantaram:
    __ Olhe para trás! Olhe para trás!
    Há sangue no sapato,
    que é pequeno demais!
    Não é a noiva certa
    que vai sentada atrás!
    O príncipe olhou o pé da moça, viu o sangue escorrendo e a meia branca, vermelha de sangue. Então virou seu cavalo, levou a falsa noiva de volta para casa e disse ao pai:
    __ Esta também não é a verdadeira noiva. Vocês não têm outra filha?
    __ Não!- respondeu o pai__ A não ser a pequena Cinderela, filha de minha falecida esposa. Mas é impossível que seja ela a noiva que procura.
    O príncipe ordenou que fossem buscá-la.
    __ Oh, não! Ela está sempre muito suja! Seria uma afronta trazê-la a vossa presença! - protestou a madrasta.
    Porém o príncipe insistiu, exigindo que ela fosse chamada. Depois de lavar o rosto e as mãos ela veio, curvou-se diante do príncipe e pegou o sapato de ouro que ele lhe estendeu.
    Sentou-se num banquinho, tirou do pé o pesado tamanco e calçou o sapato, que lhe serviu como uma luva.
    Quando ela se levantou, o príncipe viu seu rosto e reconheceu logo a linda jovem com quem havia dançado.
    __ É esta a noiva verdadeira! — exclamou, feliz.
    A madrasta e as filhas levaram um susto e ficaram brancas de raiva. O príncipe ergueu Cinderela, colocou-a na garupa do seu cavalo e partiram. Quando passaram pela aveleira, as duas pombinhas brancas cantaram:
    __ Olhe pare trás! Olhe pare trás!
    Não há sangue no sapato,
    que serviu bem demais!
    Essa é a noiva certa.
    Pode ir em paz!
    E, quando acabaram de cantar, elas voaram e foram pousar, uma no ombro direito de Cinderela, outra no esquerdo; ali ficaram.
    Quando o casamento de Cinderela com o príncipe se realizou, as falsas irmãs foram à festa. A mais velha ficou à direita do altar, e a mais nova, à esquerda.
    Subitamente, sem que ninguém pudesse impedir, a pomba pousada no ombro direito da noiva voou para cima da irmã mais velha e furou-lhe os olhos. A pomba do ombro esquerdo fez o mesmo com a mais nova, e ambas ficaram cegas para o resto de suas vidas.

  • Chapeuzinho Vermelho

    Chapeuzinho Vermelho

    Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma menina de olhos negros e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa.
    Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
    Daquele dia em diante, a menina não quis mais saber de vestir outra roupa, senão aquela e, com o tempo, os moradores da vila passaram a chamá-la de “Chapeuzinho Vermelho”.
    Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho não tinha outros parentes, a não ser uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa. Morava numa casinha, no interior da mata.
    De vez em quando ia lá visitá-la com sua mãe, e sempre levavam alguns mantimentos.
    Um dia, a mãe da menina preparou algumas broas das quais a avó gostava muito mas, quando acabou de assar os quitutes, estava tão cansada que não tinha mais ânimo para andar pela floresta e levá-las para a velhinha.
    Então, chamou a filha:
    — Chapeuzinho Vermelho, vá levar estas broinhas para a vovó, ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, não tem vontade de cozinhar.
    — Vou agora mesmo, mamãe.
    — Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, sem desviar do caminho certo. Há muitos perigos na floresta!
    — Tomarei cuidado, mamãe, não se preocupe. A mãe arrumou as broas em um cesto e colocou também um pote de geléia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geléia.
    Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores.
    A menina ia por uma trilha quando, de repente, apareceu-lhe na frente um lobo enorme, de pêlo escuro e olhos brilhantes.
    Olhando para aquela linda menina, o lobo pensou que ela devia ser macia e saborosa. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas não teve coragem, temendo os cortadores de lenha que poderiam ouvir os gritos da vítima. Por isso, decidiu usar de astúcia.
    — Bom dia, linda menina — disse com voz doce.
    — Bom dia — respondeu Chapeuzinho Vermelho.
    — Qual é seu nome?
    — Chapeuzinho Vermelho
    . — Um nome bem certinho para você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
    — Vou visitar minha avó, que não está muito bem de saúde.
    — Muito bem! E onde mora sua avó?
    — Mais além, no interior da mata.
    — Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
    — Numa casinha com as venezianas verdes, logo29 após o velho engenho de açúcar.
    O lobo teve uma idéia e propôs:
    — Gostaria de ir também visitar sua avó doente. Vamos fazer uma aposta, para ver quem chega primeiro. Eu irei por aquele atalho lá abaixo, e você poderá seguir por este. Chapeuzinho Vermelho aceitou a proposta.
    — Um, dois, três, e já! — gritou o lobo.
    Conhecendo a floresta tão bem quanto seu nariz, o lobo escolhera para ele o trajeto mais breve, e não demorou muito para alcançar a casinha da vovó.
    Bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
    — Quem é? — perguntou a avó.
    O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
    — Sou eu, sua netinha, vovó. Trago broas feitas em casa, um vidro de geléia e manteiga fresca.
    A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
    — Puxe a tranca, e a porta se abrirá.
    O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre vovozinha, antes que ela pudesse gritar.
    Em seguida, fechou a porta. Enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho. A essa altura, Chapeuzinho Vermelho já tinha esquecido do lobo e da aposta sobre quem chegaria primeiro. Ia andando devagar pelo atalho, parando aqui e acolá: ora era atraída por uma árvore carregada de pitangas, ora ficava observando o vôo de uma borboleta, ou ainda um ágil esquilo. Parou um pouco para colher um maço de flores do campo, encantou-se a observar uma procissão de formigas e correu atrás de uma joaninha.
    Finalmente, chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
    — Quem está aí? — perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
    Chapeuzinho Vermelho se espantou um pouco com a voz rouca, mas pensou que fosse porque a vovó ainda estava gripada.
    — É Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo broinhas, um pote de geléia e manteiga bem fresquinha!
    Mas aí o lobo se lembrou de afinar a voz cavernosa antes de responder:
    — Puxe o trinco, e a porta se abrirá.
    — Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta.
    O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer a touca que a vovó usava para dormir.
    Coloque as broinhas, a geléia e a manteiga no armário, minha querida netinha, e venha aqui até a minha cama. Tenho muito frio, e você me ajudará a me aquecer um pouquinho.
    Chapeuzinho Vermelho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
    — Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
    — São para abraçá-la melhor, minha querida menina!
    — Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
    — São para enxergar também no escuro, minha menina!
    — Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
    — São para ouvir tudo, queridinha!
    — Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
    — É para engolir você melhor!!!
    Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.

    — Agora estou realmente satisfeito — resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
    Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e, depois de alguns minutos, já roncava. E como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
    Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: “Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal!? Vou dar uma espiada.”
    Abriu a porta, chegou perto da cama e… quem ele viu?
    O lobo, que dormia como uma pedra, com uma enorme barriga parecendo um grande balão!
    O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cabritinhos.
    — Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
    Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para31 atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: “Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa ajudar!”.
    Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
    Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho, na segunda, uma cabecinha loura, na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
    — Obrigada, senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertado lá dentro, e tão escuro… Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
    O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
    — E agora? — perguntou o caçador. — Temos de castigar esse bicho como ele merece!
    Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador que arrumou tudo bem direitinho, dentro da barriga do lobo, antes de costurar os cortes que havia feito.
    Em seguida, os três saíram da casa, se esconderam entre as árvores e aguardaram.
    Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e ficou preso no fundo do córrego.
    O caçador foi embora contente e a vovó comeu com gosto as broinhas. Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer os conselhos da mamãe: “Não pare para conversar com ninguém, e vá em frente pelo seu — caminho”.

  • O Patinho Feio

    O Patinho Feio

    A mamãe pata tinha escolhido um lugar ideal para fazer seu ninho: um cantinho bem protegido, no meio da folhagem, perto do rio que contornava o velho castelo.
    Mais adiante estendiam-se o bosque e um lindo jardim florido.
    Naquele lugar sossegado, a pata agora aquecia pacientemente seus ovos. Por fim, após a longa espera, os ovos se abriram um após o outro, e das cascas rompidas surgiram, engraçadinhos e miúdos, os patinhas amarelos que, imediatamente, saltaram do ninho.
    Porém um dos ovos ainda não se abrira; era um ovo grande, e a pata pensou que não o chocara o suficiente.
    Impaciente, deu umas bicadas no ovão e ele começou a se romper.
    No entanto, em vez de um patinho amarelinho saiu uma ave cinzenta e desajeitada. Nem parecia um patinho.
    Para ter certeza de que o recém-nascido era um patinho, e não outra ave, a mãe-pata foi com ele até o rio e o obrigou a mergulhar junto com os outros.
    Quando viu que ele nadava com naturalidade e satisfação, suspirou aliviada. Era só um patinho muito, muito feio.
    Tranqüilizada, levou sua numerosa família para conhecer os outros animais que viviam nos jardins do castelo.
    Todos parabenizaram a pata: a sua ninhada era realmente bonita. Exceto um. O horroroso e desajeitado das penas cinzentas!
    — É grande e sem graça! — falou o peru.
    — Tem um ar abobalhado — comentaram as galinhas.
    O porquinho nada disse, mas grunhiu com ar de desaprovação.
    Nos dias que se seguiram, as coisas pioraram. Todos os bichos, inclusive os patinhos, perseguiam a criaturinha feia.
    A pata, que no princípio defendia aquela sua estranha cria, agora também sentia vergonha e não queria tê-lo em sua companhia.
    O pobre patinho crescia só, malcuidado e desprezado. Sofria. As galinhas o bicavam a todo instante, os perus o perseguiam com ar ameaçador e até a empregada, que diariamente levava comida aos bichos, só pensava em enxotá-lo.
    Um dia, desesperado, o patinho feio fugiu. Queria ficar longe de todos que o perseguiam.
    Caminhou, caminhou e chegou perto de um grande brejo, onde viviam alguns marrecos. Foi recebido com indiferença: ninguém ligou para ele. Mas não foi maltratado nem ridicularizado; para ele, que até agora só sofrera, isso já era o suficiente.
    Infelizmente, a fase tranqüila não durou muito. Numa certa madrugada, a quietude do brejo foi interrompida por um tumulto e vários disparos: tinham chegado os caçadores!
    Muitos marrequinhos perderam a vida. Por um milagre, o patinho feio conseguiu se salvar, escondendo-se no meio da mata.
    Depois disso, o brejo já não oferecia segurança; por isso, assim que cessaram os disparos, o patinho fugiu de lá.
    Novamente caminhou, caminhou, procurando um lugar onde não sofresse.
    Ao entardecer chegou a uma cabana. A porta estava entreaberta, e ele conseguiu entrar sem ser notado. Lá dentro, cansado e tremendo de frio, se encolheu num cantinho e logo dormiu.
    Na cabana morava uma velha, em companhia de um gato, especialista em caçar ratos, e de uma galinha, que todos os dias botava o seu ovinho.
    Na manhã seguinte, quando a dona da cabana viu o patinho dormindo no canto, ficou toda contente.
    — Talvez seja uma patinha. Se for, cedo ou tarde botará ovos, e eu poderei preparar cremes, pudins e tortas, pois terei mais ovos. Estou com muita sorte!
    Mas o tempo passava, e nenhum ovo aparecia. A velha começou a perder a paciência. A galinha e o gato, que desde o começo não viam com bons olhos recém-chegado, foram ficando agressivos e briguentos.
    Mais uma vez, o coitadinho preferiu deixar a segurança da cabana e se aventurar pelo mundo.
    Caminhou, caminhou e achou um lugar tranqüilo perto de uma lagoa, onde parou.
    Enquanto durou a boa estação, o verão, as coisas não foram muito mal. O patinho passava boa parte do tempo dentro da água e lá mesmo encontrava alimento suficiente.
    Mas chegou o outono. As folhas começaram a cair, bailando no ar e pousando no chão, formando um grande tapete amarelo. O céu se cobriu de nuvens ameaçadoras e o vento esfriava cada vez mais.
    Sozinho, triste e esfomeado, o patinho pensava, preocupado, no inverno que se aproximava.
    Num final de tarde, viu surgir entre os arbustos um bando de grandes e lindíssimas aves. Tinham as plumas alvas, as asas grandes e um longo pescoço, delicado e sinuoso: eram cisnes, emigrando na direção de regiões quentes. Lançando estranhos sons, bateram as asas e levantaram vôo, bem alto.
    O patinho ficou encantado, olhando a revoada, até que ela desaparecesse no horizonte. Sentiu uma grande tristeza, como se tivesse perdido amigos muito queridos.
    Com o coração apertado, lançou-se na lagoa e nadou durante longo tempo. Não conseguia tirar o pensamento daquelas maravilhosas criaturas, graciosas e elegantes.
    Foi se sentindo mais feio, mais sozinho e mais infeliz do que nunca.
    Naquele ano, o inverno chegou cedo e foi muito rigoroso.
    O patinho feio precisava nadar ininterruptamente, para que a água não congelasse em volta de seu corpo, criando uma armadilha mortal. Mas era uma luta contínua e sem esperança.
    Um dia, exausto, permaneceu imóvel por tempo suficiente para ficar com as patas presas no gelo.
    — Agora morrerei — pensou. — Assim, terá fim todo meu sofrimento.
    Fechou os olhos, e o último pensamento que teve antes de cair num sono parecido com a morte foi para as grandes aves brancas.
    Na manhã seguinte, bem cedo, um camponês que passava por aqueles lados viu o pobre patinho, já meio morto de frio.
    Quebrou o gelo com um pedaço de pau, libertou o pobrezinho e levou-o para sua casa.
    Lá o patinho foi alimentado e aquecido, recuperando um pouco de suas forças. Logo que deu sinais de vida, os filhos do camponês se animaram:
    — Vamos fazê-lo voar!
    — Vamos escondê-lo em algum lugar!

    E seguravam o patinho, apertavam-no, esfregavam-no. Os meninos não tinham más intenções; mas o patinho, acostumado a ser maltratado, atormentado e ofendido, se assustou e tentou fugir. Fuga atrapalhada!
    Caiu de cabeça num balde cheio de leite e, esperneando para sair, derrubou tudo. A mulher do camponês começou a gritar, e o pobre patinho se assustou ainda mais.
    Acabou se enfiando no balde da manteiga, engordurando-se até os olhos e, finalmente se enfiou num saco de farinha, levantando uma poeira sem fim. br> A cozinha parecia um campo de batalha. Fora de si, a mulher do camponês pegara a vassoura e procurava golpear o patinho. As crianças corriam atrás do coitadinho, divertindo-se muito.
    Meio cego pela farinha, molhado de leite e engordurado de manteiga, esbarrando aqui e ali, o pobrezinho por sorte conseguiu afinal encontrar a porta e fugir, escapando da curiosidade das crianças e da fúria da mulher.
    Ora esvoaçando, ora se arrastando na neve, ele se afastou da casa do camponês e somente parou quando lhe faltaram as forças.
    Nos meses seguintes, o patinho viveu num lago, se abrigando do gelo onde encontrava relva seca.
    Finalmente, a primavera derrotou o inverno. Lá no alto, voavam muitas aves. Um dia, observando-as, o patinho sentiu um inexplicável e incontrolável desejo de voar.
    Abriu as asas, que tinham ficado grandes e robustas, e pairou no ar. Voou. Voou. Voou longamente, até que avistou um imenso jardim repleto de flores e de árvores; do meio das árvores saíram três aves brancas.
    O patinho reconheceu as lindas aves que já vira antes, e se sentiu invadir por uma emoção estranha, como se fosse um grande amor por elas.
    — Quero me aproximar dessas esplêndidas criaturas — murmurou. — Talvez me humilhem e me matem a bicadas, mas não importa. É melhor morrer perto delas do que continuar vivendo atormentado por todos.
    Com um leve toque das asas, abaixou-se até o pequeno lago e pousou tranqüilamente na água.
    — Podem matar-me, se quiserem — disse, resignado, o infeliz.
    E abaixou a cabeça, aguardando a morte. Ao fazer isso, viu a própria imagem refletida na água, e seu coração entristecido deu um pulo. O que via não era a criatura desengonçada, cinzenta e sem graça de outrora. Enxergava as penas brancas, as grandes asas e um pescoço longo e sinuoso.
    Ele era um cisne! Um cisne, como as aves que tanto admirava.
    — Bem-vindo entre nós! — disseram-lhe os três cisnes, curvando os pescoços, em sinal de saudação.
    Aquele que num tempo distante tinha sido um patinho feio, humilhado, desprezado e atormentado se sentia agora tão feliz que se perguntava se não era um sonho!
    Mas, não! Não estava sonhando. Nadava em companhia de outros, com o coração cheio de felicidade.
    Mais tarde, chegaram ao jardim três meninos, para dar comida aos cisnes.
    O menorzinho disse, surpreso:
    — Tem um cisne novo! E é o mais belo de todos! E correu para chamar os pais.
    — É mesmo uma esplêndida criatura! — disseram os pais.
    E jogaram pedacinhos de biscoito e de bolo. Tímido diante de tantos elogios, o cisne escondeu a cabeça embaixo da asa.
    Talvez um outro, em seu lugar, tivesse ficado envaidecido. Mas não ele. Seu coração era muito bom, e ele sofrera muito, antes de alcançar a sonhada felicidade.

  • O Gato de Botas

    O Gato de Botas

    Era uma vez um moleiro muito pobre, que tinha três filhos. Os dois mais velhos eram preguiçosos e o caçula era muito trabalhador.
    Quando o moleiro morreu, só deixou como herança o moinho, um burrinho e um gato. O moinho ficou para o filho mais velho, o burrinho para o filho do meio e o gato para o caçula. Este último ficou muito descontente com a parte que lhe coube da herança, mas o gato lhe disse:
    __Meu querido amo, compra-me um par de botas e um saco e, em breve, te provarei que sou de mais utilidade que um moinho ou um asno.
    Assim, pois, o rapaz converteu todo o dinheiro que possuía num lindo par de botas e num saco para o seu gatinho. Este calçou as botas e, pondo o saco às costas, encaminhou-se para um sítio onde havia uma coelheira. Quando ali chegou, abriu o saco, meteu-lhe uma porção de farelo miúdo e deitou-se no chão fingindo-se morto.
    Excitado pelo cheiro do farelo, o coelho saiu de seu esconderijo e dirigiu-se para o saco. O gato apanhou-o logo e levou-o ao rei, dizendo-lhe:
    __Senhor, o nobre marquês de Carabás mandou que lhe entregasse este coelho. Guisado com cebolinhas será um prato delicioso.
    __Coelho?! - exclamou o rei.
    __ Que bom! Gosto muito de coelho, mas o meu cozinheiro não consegue nunca apanhar nenhum. Diga ao teu amo que eu lhe mando os meus mais sinceros agradecimentos.
    No dia seguinte, o gatinho apanhou duas perdizes e levou-as ao rei como presente do marquês de Carabás.
    Durante um tempo, o gato continuou a levar ao palácio outros presente, todos dizia ser da parte do Marquês de Carabás.
    Um dia o gato convidou seu amo para tomar um banho no rio. Ao chegarem ao local o gato disse ao jovem:
    __ De hoje em diante seu nome será Marquês de Carabás. Agora, por favor, tire sua roupa e entre na água.
    O rapaz não estava entendendo nada, mas como confiava no gato atendeu seu pedido.
    O gato havia levado rapaz no local por onde devia passar a carruagem real.
    esperto gato ao ver uma carruagem se aproximando começou a gritar:
    __Socorro! Socorro!
    Que aconteceu? - perguntou o rei, descendo da sua carruagem.
    Os ladrões roubaram a roupa do nobre marquês de Carabás! - disse o gato.
    __ Meu amo está dentro da água, ficará resfriado.
    O rei mandou imediatamente uns servos ao palácio; voltaram daí a pouco com um magnífico vestuário feito para o próprio rei, quando jovem.

    O dono do gato vestiu-se e ficou tão bonito que a princesa, assim que o viu, dele se enamorou. O rei também ficou encantado e murmurou:
    __Eu era exatamente assim, nos meus tempos de moço.
    O rei convidou o falso marquês para subir em sua carruagem.
    __ Será que a vossa majestade nos dá a honra de visitar o palácio do Marquês de Carabás? – perguntou o gato, diante do olhar aflito do rapaz
    O rei aceitou o convite e o gato saiu na frente, para arrumar uma recepção par ao rei e a princesa.
    O gato estava radiante com o êxito do seu plano; e, correndo à frente da carruagem, chegou a uns campos e disse aos lavradores:
    __O rei está chegando; se não lhes disserem que todos estes campos pertencem ao marquês de Carabás, o rei mandará cortar-lhes a cabeça.
    De forma que, quando o rei perguntou de quem eram aquelas searas, os lavradores responderam-lhe:
    __Do muito nobre marquês de Carabás.
    __Que lindas propriedades tens tu!- elogiou o rei ao jovem.
    O moço sorriu perturbado, e o rei murmurou ao ouvido da filha:
    __Eu também era assim, nos meus tempos de moço.
    Mais adiante, o gato encontrou uns camponeses ceifando trigo e lhes fez a mesma ameaça: __Se não disserem que todo este trigo pertence ao marquês de Carabás, faço picadinho de vocês.
    Assim, quando chegou a carruagem real e o rei perguntou de quem era todo aquele trigo, responderam:
    __Do mui nobre marquês de Carabás.
    O rei ficou muito entusiasmado e disse ao moço:
    __ Ó marquês! Tens muitas propriedades!
    O gato continuava a correr à frente da carruagem; atravessando um espesso bosque, chegou à porta de um magnífico palácio, no qual vivia um ogro muito malvado que era o verdadeiro dono dos campos semeados. O gatinho bateu à porta e disse ao ogro que a abriu:
    __Meu querido ogro, tenho ouvido por aí umas histórias a teu respeito. Dizei-me lá: é certo que te podes transformar no que quiseres?
    __ Certíssimo - respondeu o ogro, e transformou-se num leão.
    __ Isso não vale nada - disse o gatinho. - Qualquer um pode inchar e aparecer maior do que realmente é. Toda a arte está em se tornar menor. Poderias, por exemplo, transformar-te em rato?
    __ É fácil - respondeu o ogro, e transformou-se num rato.
    O gatinho deitou-lhe logo as unhas, comeu-o e desceu logo a abrir a porta, pois naquele momento chegava a carruagem real. E disse:
    __ Bem vindo seja, senhor, ao palácio do marquês de Carabás.
    __ Olá! - disse o rei
    __ Que formoso palácio tens tu! Peço-te a fineza de ajudar a princesa a descer da carruagem.
    O rapaz, timidamente, ofereceu o braço à princesa e o rei murmurou-lhe ao ouvido:
    __ Eu também era assim tímido, nos meus tempos de moço.
    Entretanto, o gatinho meteu-se na cozinha e mandou preparar um esplêndido almoço, pondo na mesa os melhores vinhos que havia na adega; e quando o rei, a princesa e o amo entraram na sala de jantar e se sentaram à mesa, tudo estava pronto.
    Depois do magnífico almoço, o rei voltou-se para o rapaz e disse-lhe:
    __ Jovem, és tão tímido como eu era nos meus tempos de moço. Mas percebo que gostas muito da princesa, assim como ela gosta de ti. Por que não a pedes em casamento?
    Então, o moço pediu a mão da princesa, e o casamento foi celebrado com a maior pompa. O gato assistiu, calçando um novo par de botas com cordões encarnados e bordados a ouro e preciosos diamantes.
    E daí em diante, passaram a viver muito felizes. E se o gato às vezes ainda se metia a correr atrás dos ratos, era apenas por divertimento; porque absolutamente não mais precisava de ratos para matar a fome..

  • O Soldadinho de Chumbo

    O Soldadinho de Chumbo

    Numa loja de brinquedos havia uma caixa de papelão com vinte e cinco soldadinhos de chumbo, todos iguaizinhos, pois haviam sido feitos com o mesmo molde. Apenas um deles era perneta: como fora o último a ser fundido, faltou chumbo para completar a outra perna. Mas o soldadinho perneta logo aprendeu a ficar em pé sobre a única perna e não fazia feio ao lado dos irmãos.
    Esses soldadinhos de chumbo eram muito bonitos e elegantes, cada qual com seu fuzil ao ombro, a túnica escarlate, calça azul e uma bela pluma no chapéu. Além disso, tinham feições de soldados corajosos e cumpridores do dever.
    Os valorosos soldadinhos de chumbo aguardavam o momento em que passariam a pertencer a algum menino.
    Chegou o dia em que a caixa foi dada de presente de aniversário a um garoto. Foi o presente de que ele mais gostou:
    — Que lindos soldadinhos! — exclamou maravilhado.
    E os colocou enfileirados sobre a mesa, ao lado dos outros brinquedos. O soldadinho de uma perna só era o último da fileira.
    Ao lado do pelotão de chumbo se erguia um lindo castelo de papelão, um bosque de árvores verdinhas e, em frente, havia um pequeno lago feito de um pedaço de espelho.
    A maior beleza, porém, era uma jovem que estava em pé na porta do castelo. Ela também era de papel, mas vestia uma saia de tule bem franzida e uma blusa bem justa. Seu lindo rostinho era emoldurado por longos cabelos negros, presos por uma tiara enfeitada com uma pequenina pedra azul.
    A atraente jovem era uma bailarina, por isso mantinha os braços erguidos em arco sobre a cabeça. Com uma das pernas dobrada para trás, tão dobrada, mas tão dobrada, que acabava escondida pela saia de tule.
    O soldadinho a olhou longamente e logo se apaixonou, e pensando que, tal como ele, aquela jovem tão linda tivesse uma perna só.
    “Mas é claro que ela não vai me querer para marido”, pensou entristecido o soldadinho, suspirando.
    “Tão elegante, tão bonita… Deve ser uma princesa. E eu? Nem cabo sou, vivo numa caixa de papelão, junto com meus vinte e quatro irmãos”.
    À noite, antes de deitar, o menino guardou os soldadinhos na caixa, mas não percebeu que aquele de uma perna só caíra atrás de uma grande cigarreira.
    Quando os ponteiros do relógio marcaram meia-noite, todos os brinquedos se animaram e começaram a aprontar mil e uma. Uma enorme bagunça!
    As bonecas organizaram um baile, enquanto o giz da lousa desenhava bonequinhos nas paredes. Os soldadinhos de chumbo, fechados na caixa, golpeavam a tampa para sair e participar da festa, mas continuavam prisioneiros.
    Mas o soldadinho de uma perna só e a bailarina não saíram do lugar em que haviam sido colocados.

    Ele não conseguia parar de olhar aquela maravilhosa criatura. Queria ao menos tentar conhecê-la, para ficarem amigos.
    De repente, se ergueu da cigarreira um homenzinho muito mal-encarado. Era um gênio ruim, que só vivia pensando em maldades.
    Assim que ele apareceu, todos os brinquedos pararam amedrontados, pois já sabiam de quem se tratava.
    O geniozinho olhou a sua volta e viu o soldadinho, deitado atrás da cigarreira.
    — Ei, você aí, por que não está na caixa, com seus irmãos? — gritou o monstrinho.
    Fingindo não escutar, o soldadinho continuou imóvel, sem desviar os olhos da bailarina.
    — Amanhã vou dar um jeito em você, você vai ver! - gritou o geniozinho enfezado.
    Depois disso, pulou de cabeça na cigarreira, levantando uma nuvem que fez todos espirrarem.
    Na manhã seguinte, o menino tirou os soldadinhos de chumbo da caixa, recolheu aquele de uma perna só, que estava caído atrás da cigarreira, e os arrumou perto da janela.
    O soldadinho de uma perna só, como de costume, era o último da fila.
    De repente, a janela se abriu, batendo fortemente as venezianas. Teria sido o vento, ou o geniozinho maldoso?
    E o pobre soldadinho caiu de cabeça na rua.
    O menino viu quando o brinquedo caiu pela janela e foi correndo procurá-lo na rua. Mas não o encontrou. Logo se consolou: afinal, tinha ainda os outros soldadinhos, e todos com duas pernas.
    Para piorar a situação, caiu um verdadeiro temporal.
    Quando a tempestade foi cessando, e o céu limpou um pouco, chegaram dois moleques. Eles se divertiam, pisando com os pés descalços nas poças de água.
    Um deles viu o soldadinho de chumbo e exclamou:
    — Olhe! Um soldadinho! Será que alguém jogou fora porque ele está quebrado?
    — É, está um pouco amassado. Deve ter vindo com a enxurrada.
    — Não, ele está só um pouco sujo.
    — O que nós vamos fazer com um soldadinho só? Precisaríamos pelo menos meia dúzia, para organizar uma batalha.
    — Sabe de uma coisa? — Disse o primeiro garoto. —Vamos colocá-lo num barco e mandá-lo dar a volta ao mundo.
    E assim foi. Construíram um barquinho com uma folha de jornal, colocaram o soldadinho dentro dele e soltaram o barco para navegar na água que corria pela sarjeta.
    Apoiado em sua única perna, com o fuzil ao ombro, o soldadinho de chumbo procurava manter o equilíbrio.
    O barquinho dava saltos e esbarrões na água lamacenta, acompanhado pelos olhares dos dois moleques que, entusiasmados com a nova brincadeira, corriam pela calçada ao lado.
    Lá pelas tantas, o barquinho foi jogado para dentro de um bueiro e continuou seu caminho, agora subterrâneo, em uma imensa escuridão. Com o coração batendo fortemente, o soldadinho voltava todos seus pensamentos para a bailarina, que talvez nunca mais pudesse ver.
    De repente, viu chegar em sua direção um enorme rato de esgoto, olhos fosforescente e um horrível rabo fino e comprido, que foi logo perguntando:
    — Você tem autorização para navegar? Então? Ande, mostre-a logo, sem discutir.
    O soldadinho não respondeu, e o barquinho continuou seu incerto caminho, arrastado pela correnteza. Os gritos do rato do esgoto exigindo a autorização foram ficando cada vez mais distantes.
    Enfim, o soldadinho viu ao longe uma luz, e respirou aliviado; aquela viagem no escuro não o agradava nem um pouco. Mal sabia ele que, infelizmente, seus problemas não haviam acabado.
    A água do esgoto chegara a um rio, com um grande salto; rapidamente, as águas agitadas viraram o frágil barquinho de papel.
    O barquinho virou, e o soldadinho de chumbo afundou.
    Mal tinha chegado ao fundo, apareceu um enorme peixe que, abrindo a boca, engoliu-o.
    O soldadinho se viu novamente numa imensa escuridão, espremido no estômago do peixe. E não deixava de pensar em sua amada: “O que estará fazendo agora sua linda bailarina? Será que ainda se lembra de mim?”.
    E, se não fosse tão destemido, teria chorado lágrimas de chumbo, pois seu coração sofria de paixão.
    Passou-se muito tempo — quem poderia dizer quanto?
    E, de repente, a escuridão desapareceu e ele ouviu quando falavam:
    — Olhe! O soldadinho de chumbo que caiu da janela!
    Sabem o que aconteceu? O peixe havia sido fisgado por um pescador, levado ao mercado e vendido a uma cozinheira. E, por cúmulo da coincidência, não era qualquer cozinheira, mas sim a que trabalhava na casa do menino que ganhara o soldadinho no aniversário.
    Ao limpar o peixe, a cozinheira encontrara dentro dele o soldadinho, do qual se lembrava muito bem, por causa daquela única perna.
    Levou-o para o garotinho, que fez a maior festa ao revê-lo. Lavou-o com água e sabão, para tirar o fedor de peixe, e endireitou a ponta do fuzil, que amassara um pouco durante aquela aventura.
    Limpinho e lustroso, o soldadinho foi colocado sobre a mesma mesa em que estava antes de voar pela janela. Nada estava mudado. O castelo de papel, o pequeno bosque de árvores muito verdes, o lago reluzente feito de espelho. E, na porta do castelo, lá estava ela, a bailarina: sobre uma perna só, com os braços erguidos acima da cabeça, mais bela do que nunca.
    O soldadinho olhou para a bailarina, ainda mais apaixonado, ela olhou para ele, mas não trocaram palavra alguma. Ele desejava conversar, mas não ousava. Sentia-se feliz apenas por estar novamente perto dela e poder amá-la.
    Se pudesse, ele contaria toda sua aventura; com certeza a linda bailarina iria apreciar sua coragem. Quem sabe, até se casaria com ele…
    Enquanto o soldadinho pensava em tudo isso, o garotinho brincava tranqüilo com o pião.
    De repente como foi, como não foi — é caso de se pensar se o geniozinho ruim da cigarreira não metera seu nariz —, o garotinho agarrou o soldadinho de chumbo e atirou-o na lareira, onde o fogo ardia intensamente.
    O pobre soldadinho viu a luz intensa e sentiu um forte calor. A única perna estava amolecendo e a ponta do fuzil envergava para o lado. As belas cores do uniforme, o vermelho escarlate da túnica e o azul da calça perdiam suas tonalidades.
    O soldadinho lançou um último olhar para a bailarina, que retribuiu com silêncio e tristeza. Ele sentiu então que seu coração de chumbo começava a derreter — não só pelo calor, mas principalmente pelo amor que ardia nele.
    Naquele momento, a porta escancarou-se com violência, e uma rajada de vento fez voar a bailarina de papel diretamente para a lareira, bem junto ao soldadinho. Bastou uma labareda e ela desapareceu. O soldadinho também se dissolveu completamente.
    No dia seguinte. a arrumadeira, ao limpar a lareira, encontrou no meio das cinzas um pequenino coração de chumbo: era tudo que restara do soldadinho, fiel até o último instante ao seu grande amor.
    Da pequena bailarina de papel só restou a minúscula pedra azul da tiara, que antes brilhava em seus longos cabelos negros.

  • Os Sacis

    Os Sacis

    Os Sacis estavam de boca aberta.
    - Você esteve na cidade Pororó?
    - Bem só no alto do redemoinho...
    - Como você sabe dessa história de apartamento e elevador?
    - Um menino me contou. Eu peguei roupa no varal e fui falar com ele.
    - E ele?
    - Pensou que eu era menino também.
    - Não tinha perigo?
    - De quê?
    - Descobrir que você era Saci...
    - Xiii...Sabem o que eu descobri?
    - Diga logo! Pediram os dois.
    - Menino não acredita em Saci!
    - O quê?
    - A gente esta lá, perto do mato, tinha falado de tudo...Então eu perguntei se ele tinha medo de Saci...
    - E ele?
    - Fala Pororó.
    Pororó fez um ligeiro suspense e revelou.
    - Ele riu muito.
    - Riu?
    - Disse que saci não existe.
    - Saci não existe?
    - Nós não existimos?
    - Com essa, o Piriri desabou:
    - A gente perde a casa, sofre feito Saci e ainda vem um menino dizer que Saci não existe...buááá...buééé...

  • Os Três Porquinhos

    Os Três Porquinhos

    Era uma vez, na época em que os animais falavam, três porquinhos que viviam felizes e despreocupados na casa da mãe.
    A mãe era ótima, cozinhava, passava e fazia tudo pelos filhos. Porém, dois dos filhos não a ajudavam em nada e o terceiro sofria em ver sua mãe trabalhando sem parar.
    Certo dia, a mãe chamou os porquinhos e disse:
    __Queridos filhos, vocês já estão bem crescidos. Já é hora de terem mais responsabilidades para isso, é bom morarem sozinhos.
    A mãe então preparou um lanche reforçado para seus filhos e dividiu entre os três suas economias para que pudessem comprar material e construírem uma casa.
    Estava um bonito dia, ensolarado e brilhante. A mãe porca despediu-se dos seus filhos:
    __Cuidem-se! Sejam sempre unidos! - desejou a mãe.
    Os três porquinhos, então, partiram pela floresta em busca de um bom lugar para construírem a casa. Porém, no caminho começaram a discordar com relação ao material que usariam para construir o novo lar.
    Cada porquinho queria usar um material diferente.
    O primeiro porquinho, um dos preguiçosos foi logo dizendo:
    __ Não quero ter muito trabalho! Dá para construir uma boa casa com um monte de palha e ainda sobra dinheiro para comprar outras coisas.
    O porquinho mais sábio advertiu:
    __ Uma casa de palha não é nada segura.
    O outro porquinho preguiçoso, o irmão do meio, também deu seu palpite:
    __ Prefiro uma casa de madeira, é mais resistente e muito prática. Quero ter muito tempo para descansar e brincar.
    __ Uma casa toda de madeira também não é segura - comentou o mais velho- Como você vai se proteger do frio? E se um lobo aparecer, como vai se proteger?
    __ Eu nunca vi um lobo por essas bandas e, se fizer frio, acendo uma fogueira para me aquecer! - respondeu o irmão do meio- E você, o que pretende fazer, vai brincar conosco depois da construção da casa?

    __Já que cada um vai fazer uma casa, eu farei uma casa de tijolos, que é resistente. Só quando acabar é que poderei brincar. – Respondeu o mais velho.
    O porquinho mais velho, o trabalhador, pensava na segurança e no conforto do novo lar.
    Os irmãos mais novos preocupavam-se em não gastar tempo trabalhando.
    __Não vamos enfrentar nenhum perigo para ter a necessidade de construir uma casa resistente. - Disse um dos preguiçosos.
    Cada porquinho escolheu um canto da floresta para construir as respectivas casas. Contudo, as casas seriam próximas.
    O Porquinho da casa de palha, comprou a palha e em poucos minutos construiu sua morada. Já estava descansando quando o irmão do meio, que havia construído a casa de madeira chegou chamando-o para ir ver a sua casa.
    Ainda era manhã quando os dois porquinhos se dirigiram para a casa do porquinho mais velho, que construía com tijolos sua morada.
    __Nossa! Você ainda não acabou! Não está nem na metade! Nós agora vamos almoçar e depois brincar. – disse irônico, o porquinho do meio.
    O porquinho mais velho porém não ligou para os comentários, nem par a as risadinhas, continuou a trabalhar, preparava o cimento e montava as paredes de tijolos. Após três dias de trabalho intenso, a casa de tijolos estava pronta, e era linda!
    Os dias foram passando, até que um lobo percebeu que havia porquinhos morando naquela parte da floresta. O Lobo sentiu sua barriga roncar de fome, só pensava em comer os porquinhos.
    Foi então bater na porta do porquinho mais novo, o da casa de palha. O porquinho antes de abrir a porta olhou pela janela e avistando o lobo começou a tremer de medo.
    O Lobo bateu mais uma vez, o porquinho então, resolveu tentar intimidar o lobo:
    __ Vá embora! Só abrirei a porta para o meu pai, o grande leão!- mentiu o porquinho cheio de medo.
    __ Leão é? Não sabia que leão era pai de porquinho. Abra já essa porta. – Disse o lobo com um grito assustador.
    O porquinho continuou quieto, tremendo de medo.
    __Se você não abrir por bem, abrirei à força. Eu ou soprar, vou soprar muito forte e sua casa irá voar.
    O porquinho ficou desesperado, mas continuou resistindo. Até que o lobo soprou um a vez e nada aconteceu, soprou novamente e da palha da casinha nada restou, a casa voou pelos ares. O porquinho desesperado correu em direção à casinha de madeira do seu irmão.
    O lobo correu atrás.
    Chagando lá, o irmão do meio estava sentado na varanda da casinha.
    __Corre, corre entra dentro da casa! O lobo vem vindo! – gritou desesperado, correndo o porquinho mais novo.
    Os dois porquinhos entraram bem a tempo na casa, o lobo chegou logo atrás batendo com força na porta.
    Os porquinhos tremiam de medo. O lobo então bateu na porta dizendo:
    __Porquinhos, deixem eu entrar só um pouquinho! __ De forma alguma Seu Lobo, vá embora e nos deixe em paz.- disseram os porquinhos.
    __ Então eu vou soprar e soprar e farei a casinha voar. O lobo então furioso e esfomeado, encheu o peito de ar e soprou forte a casinha de madeira que não agüentou e caiu.
    Os porquinhos aproveitaram a falta de fôlego do lobo e correram para a casinha do irmão mais velho.
    Chegando lá pediram ajuda ao mesmo.
    __Entrem, deixem esse lobo comigo!- disse confiante o porquinho mais velho.
    Logo o lobo chegou e tornou a atormentá-los:
    __ Porquinhos, porquinhos, deixem-me entrar, é só um pouquinho!
    __Pode esperar sentado seu lobo mentiroso.- respondeu o porquinho mais velho.
    __ Já que é assim, preparem-se para correr. Essa casa em poucos minutos irá voar! O lobo encheu seus pulmões de ar e soprou a casinha de tijolos que nada sofreu.
    Soprou novamente mais forte e nada.
    Resolveu então se jogar contra a casa na tentativa de derrubá-la. Mas nada abalava a sólida casa.
    O lobo resolveu então voltar para a sua toca e descansar até o dia seguinte.
    Os porquinhos assistiram a tudo pela janela do andar superior da casa. Os dois mais novos comemoraram quando perceberam que o lobo foi embora.
    __ Calma , não comemorem ainda! Esse lobo é muito esperto, ele não desistirá antes de aprende ruma lição.- Advertiu o porquinho mais velho.
    No dia seguinte bem cedo o lobo estava de volta à casa de tijolos. Disfarçado de vendedor de frutas.
    __ Quem quer comprar frutas fresquinhas?- gritava o lobo se aproximando da casa de tijolos.
    Os dois porquinhos mais novos ficaram com muita vontade de comer maçãs e iam abrir a porta quando o irmão mais velho entrou na frente deles e disse: -__ Nunca passou ninguém vendendo nada por aqui antes, não é suspeito que na manhã seguinte do aparecimento do lobo, surja um vendedor?
    Os irmãos acreditaram que era realmente um vendedor, mas resolveram esperar mais um pouco.
    O lobo disfarçado bateu novamente na porta e perguntou:
    __ Frutas fresquinhas, quem vai querer?
    Os porquinhos responderam:
    __ Não, obrigado.
    O lobo insistiu:
    Tome peguem três sem pagar nada, é um presente.
    __ Muito obrigado, mas não queremos, temos muitas frutas aqui.
    O lobo furioso se revelou:
    __ Abram logo, poupo um de vocês!
    Os porquinhos nada responderam e ficaram aliviados por não terem caído na mentira do falso vendedor.
    De repente ouviram um barulho no teto. O lobo havia encostado uma escada e estava subindo no telhado.
    Imediatamente o porquinho mais velho aumentou o fogo da lareira, na qual cozinhavam uma sopa de legumes.
    O lobo se jogou dentro da chaminé, na intenção de surpreender os porquinho entrando pela lareira. Foi quando ele caiu bem dentro do caldeirão de sopa fervendo.
    ___AUUUUUUU!- Uivou o lobo de dor, saiu correndo em disparada em direção à porta e nunca mais foi visto por aquelas terras.
    Os três porquinhos, pois, decidiram morar juntos daquele dia em diante. Os mais novos concordaram que precisavam trabalhar além de descansar e brincar.
    Pouco tempo depois, a mãe dos porquinhos não agüentando as saudades, foi morar com os filhos.
    Todos viveram felizes e em harmonia na linda casinha de tijolos

  • Rapunzel

    Rapunzel

    Era uma vez um casal que há muito tempo desejava inutilmente ter um filho. Os anos se passavam, e seu sonho não se realizava. Afinal, um belo dia, a mulher percebeu que Deus ouvira suas preces. Ela ia ter uma criança!
    Por uma janelinha que havia na parte dos fundos da casa deles, era possível ver, no quintal vizinho, um magnífico jardim cheio das mais lindas flores e das mais viçosas hortaliças. Mas em torno de tudo se erguia um muro altíssimo, que ninguém se atrevia a escalar. Afinal, era a propriedade de uma feiticeira muito temida e poderosa.
    Um dia, espiando pela janelinha, a mulher se admirou ao ver um canteiro cheio dos mais belos pés de rabanete que jamais imaginara. As folhas eram tão verdes e fresquinhas que abriram seu apetite. E ela sentiu um enorme desejo de provar os rabanetes.
    A cada dia seu desejo aumentava mais. Mas ela sabia que não havia jeito de conseguir o que queria e por isso foi ficando triste, abatida e com um aspecto doentio, até que um dia o marido se assustou e perguntou:
    — O que está acontecendo contigo, querida?
    — Ah! — respondeu ela. — Se não comer um rabanete do jardim da feiticeira, vou morrer logo, logo!
    O marido, que a amava muito, pensou: “Não posso deixar minha mulher morrer… Tenho que conseguir esses rabanetes, custe o que custar!”
    Ao anoitecer, ele encostou uma escada no muro, pulou para o quintal vizinho, arrancou apressadamente um punhado de rabanetes e levou para a mulher. Mais que depressa, ela preparou uma salada que comeu imediatamente, deliciada. Ela achou o sabor da salada tão bom, mas tão bom, que no dia seguinte seu desejo de comer rabanetes ficou ainda mais forte. Para sossegá-la, o marido prometeu-lhe que iria buscar mais um pouco.
    Quando a noite chegou, pulou novamente o muro mas, mal pisou no chão do outro lado, levou um tremendo susto: de pé, diante dele, estava a feiticeira.
    — Como se atreve a entrar no meu quintal como um ladrão, para roubar meus rabanetes? — perguntou ela com os olhos chispando de raiva. — Vai ver só o que te espera!
    — Oh! Tenha piedade! — implorou o homem. — Só fiz isso porque fui obrigado! Minha mulher viu seus rabanetes pela nossa janela e sentiu tanta vontade de comê-los, mas tanta vontade, que na certa morrerá se eu não levar alguns!
    A feiticeira se acalmou e disse:
    — Se é assim como diz, deixo você levar quantos rabanetes quiser, mas com uma condição: irá me dar a criança que sua mulher vai ter. Cuidarei dela como se fosse sua própria mãe, e nada lhe faltará.
    O homem estava tão apavorado, que concordou. Pouco tempo depois, o bebê nasceu. Era uma menina. A feiticeira surgiu no mesmo instante, deu à criança o nome de Rapunzel e levou-a embora.
    Rapunzel cresceu e se tomou a mais linda criança sob o sol. Quando fez doze anos, a feiticeira trancou-a no alto de uma torre, no meio da floresta.
    A torre não possuía nem escada, nem porta: apenas uma janelinha, no lugar mais alto. Quando a velha desejava entrar, ficava embaixo da janela e gritava:
    — Rapunzel, Rapunzel! Joga abaixo tuas tranças!
    Rapunzel tinha magníficos cabelos compridos, finos como fios de ouro. Quando ouvia o chamado da velha, abria a janela, desenrolava as tranças e jogava-as para fora. As tranças caíam vinte metros abaixo, e por elas a feiticeira subia.
    Alguns anos depois, o filho do rei estava cavalgando pela floresta e passou perto da torre. Ouviu um canto tão bonito que parou, encantado.
    Rapunzel, para espantar a solidão, cantava para si mesma com sua doce voz.
    Imediatamente o príncipe quis subir, procurou uma porta por toda parte, mas não encontrou. Inconformado, voltou para casa. Mas o maravilhoso canto tocara seu coração de tal maneira que ele começou a ir para a floresta todos os dias, querendo ouvi-lo outra vez.
    Em uma dessas vezes, o príncipe estava descansando atrás de uma árvore e viu a feiticeira aproximar-se da torre e gritar: “Rapunzel, Rapunzel! Joga abaixo tuas tranças!”. E viu quando a feiticeira subiu pelas tranças.
    “É essa a escada pela qual se sobe?”, pensou o príncipe. “Pois eu vou tentar a sorte…”.
    No dia seguinte, quando escureceu, ele se aproximou da torre e, bem embaixo da janelinha, gritou:
    — Rapunzel, Rapunzel! Joga abaixo tuas tranças!
    As tranças caíram pela janela abaixo, e ele subiu.
    Rapunzel ficou muito assustada ao vê-lo entrar, pois jamais tinha visto um homem.
    Mas o príncipe falou-lhe com muita doçura e contou como seu coração ficara transtornado desde que a ouvira cantar, explicando que não teria sossego enquanto não a conhecesse.

    Rapunzel foi se acalmando, e quando o príncipe lhe perguntou se o aceitava como marido, reparou que ele era jovem e belo, e pensou: “Ele é mil vezes preferível à velha senhora…”. E, pondo a mão dela sobre a dele, respondeu:
    — Sim! Eu quero ir com você! Mas não sei como descer… Sempre que vier me ver, traga uma meada de seda. Com ela vou trançar uma escada e, quando ficar pronta, eu desço, e você me leva no seu cavalo.
    Combinaram que ele sempre viria ao cair da noite, porque a velha costumava vir durante o dia. Assim foi, e a feiticeira de nada desconfiava até que um dia Rapunzel, sem querer, perguntou a ela:
    — Diga-me, senhora, como é que lhe custa tanto subir, enquanto o jovem filho do rei chega aqui num instantinho?
    — Ah, menina ruim! — gritou a feiticeira. — Pensei que tinha isolado você do mundo, e você me engana!
    Na sua fúria, agarrou Rapunzel pelo cabelos e esbofeteou-a. Depois, com a outra mão, pegou uma tesoura e tec, tec! cortou as belas tranças, largando-as no chão.
    Não contente, a malvada levou a pobre menina para um deserto e abandonou-a ali, para que sofresse e passasse todo tipo de privação.
    Na tarde do mesmo dia em que Rapunzel foi expulsa, a feiticeira prendeu as longas tranças num gancho da janela e ficou esperando. Quando o príncipe veio e chamou: “Rapunzel! Rapunzel! Joga abaixo tuas tranças!”, ela deixou as tranças caírem para fora e ficou esperando.
    Ao entrar, o pobre rapaz não encontrou sua querida Rapunzel, mas sim a terrível feiticeira. Com um olhar chamejante de ódio, ela gritou zombeteira:
    — Ah, ah! Você veio buscar sua amada? Pois a linda avezinha não está mais no ninho, nem canta mais! O gato apanhou-a, levou-a, e agora vai arranhar os seus olhos! Nunca mais você verá Rapunzel! Ela está perdida para você!
    Ao ouvir isso, o príncipe ficou fora de si e, em seu desespero, se atirou pela janela. O jovem não morreu, mas caiu sobre espinhos que furaram seus olhos e ele ficou cego.
    Desesperado, ficou perambulando pela floresta, alimentando-se apenas de frutos e raízes, sem fazer outra coisa que se lamentar e chorar a perda da amada.
    Passaram-se os anos. Um dia, por acaso, o príncipe chegou ao deserto no qual Rapunzel vivia, na maior tristeza, com seus filhos gêmeos, um menino e uma menina, que haviam nascido ali.
    Ouvindo uma voz que lhe pareceu familiar, o príncipe caminhou na direção de Rapunzel. Assim que chegou perto, ela logo o reconheceu e se atirou em seus braços, a chorar.
    Duas das lágrimas da moça caíram nos olhos dele e, no mesmo instante, o príncipe recuperou a visão e ficou enxergando tão bem quanto antes.
    Então, levou Rapunzel e as crianças para seu reino, onde foram recebidos com grande alegria. Ali viveram felizes e contentes.

  • Zinho, O Detetive

    Zinho, O Detetive

    O Detetive Zinho estava em seu quarto arrumando suas coisas de detetive, quando ouviu um grito pavoroso:
    - Aaaiiiii!
    Zinho saltou da cama, pegou sua lupa e seu chapéu, e abriu a porta do seu quarto. Daí ouviu o grito de novo:
    - Aaaiiiii!
    Zinho quase se assustou. Mas aí lembrou-se que um verdadeiro detetive não se assusta. Engoliu o susto em seco e pegou um desentupidor de pia que estava no corredor. Com o desentupidor debaixo do braço ele se sentiu mais confiante para enfrentar aquela ameaça terrível. E pôs-se a investigar de onde viriam os gritos.
    - Aaaiiiii!
    Era o grito pavoroso de novo. Zinho já estava no alto da escada quando decidiu pegar mais uma arma: entrou no quarto da mãe e saiu de lá com um sutiã na mão para usar como se fosse estilingue. Testou o suti-estilingue e... funcionava. Lançou uma bola de meia longe. A bola bateu no espelho do corredor, voltou e bateu na cabeça de Zinho, que ficou meio atordoado. O que mostrava que o suti-estilingue funcionava.
    - Aaaiiiii!
    Quanto mais descia a escada mais pavoroso o grito ficava. E o detetive Zinho resolveu se armar de um tênis largado pelo irmão mais velho bem no pé da escada. O tênis estava muito sujo e Zinho fez a besteira de cheirar o tênis do irmão.
    - Arrgghh! Que chulé! – disse Zinho tapando o nariz.
    Era mais uma arma perfeita contra o que quer que fosse que estava causando aqueles gritos de medo. E por falar em grito:
    - Aaaiiiii!
    Passando pelo banheiro no corredor o detetive Zinho entrou. Pelo barulho que fez deve ter derrubado um monte de coisas lá dentro. E saiu armado de papel higiênico (pra amarrar o inimigo), uma escova de dentes (caso ele esteja com mal-hálito) e um rodo (que podia ser usado como espada ou coisa assim).
    Carregado com todos esses apetrechos o detetive Zinho ouviu novamente:
    - Aaaaaahhhhhh!
    O grito tinha ficado ainda mais pavoroso. E finalmente Zinho pode identificar de onde vinha o grito: da cozinha.
    Aproximou-se com cuidado da porta da cozinha, que estava fechada. O detetive Zinho ainda se lembrou de pegar um espanador que estava numa mesinha perto da porta. Por um segundo ou dois hesitou. Devia mesmo entrar? Que terríveis perigos o aguardavam atrás daquela porta.
    - Aaaaahhhhhhhh!
    Quando ouviu esse último grito não teve dúvidas: ele ia fazer o que tinha vindo fazer. E chutou a porta da cozinha com tanta força que ela se abriu estrondosamente. Pode ver então sua irmã mais velha em cima de uma cadeira. A irmã olhava para o lado e deu mais um grito horripilante:
    - Socoorroooo!
    Que terríveis monstros marcianos atacavam a cozinha querendo raptar sua irmã? Que perversos bandidos assaltavam a casa em busca dos doces que sua mãe tinha feito para o jantar? Que cruéis monstros sanguinários invadiam a casa prontos para sugar todo o leite da geladeira até a morte?
    O detetive Zinho tentou manter a calma. E reparou que sua irmã olhava para baixo. Estalou os dedos e concluiu brilhantemente:
    - Ahá! O que está assustando minha irmã deve estar no chão!
    Então o detetive aproximou-se do ser maligno que estava causando todo esse terror em sua parente tão próxima. Armado com todos os objetos que pegou pela casa ele não tinha medo, não podia falhar.
    E foi então que ele chegou bem perto e pode ver, ali no chão limpo da cozinha... uma barata.

  • Pinóquio

    Pinóquio

    Era uma vez, um senhor chamado Gepeto. Ele era um homem bom, que morava sozinho em uma bela casinha numa vila italiana.
    Gepeto era marceneiro, fazia trabalhos incríveis com madeira, brinquedos, móveis e muitos outros objetos. As crianças adoravam os brinquedos de Gepeto.
    Apesar de fazer a felicidade das crianças com os brinquedos de madeira, Gepeto sentia-se muito só, e por vezes triste. Ele queria muito ter tido um filho, e assim resolveu construir um amigo de madeira para si.
    O boneco ficou muito bonito, tão perfeito que Gepeto entusiasmou-se e deu-lhe o nome de Pinóquio.
    Os dias se passaram e Gepeto falava sempre com o Pinóquio, como se este fosse realmente um menino.
    Numa noite, a Fada Azul visitou a oficina de Gepeto. Comovida com a solidão do bondoso ancião, resolveu tornar seu sonho em realidade dando vida ao boneco de madeira.
    E tocando Pinóquio com a sua varinha mágica disse:
    __Te darei o dom da vida, porém para se transformar num menino de verdade deves fazer por merecer . Deve ser sempre bom e verdadeiro como o seu pai, Gepeto.
    A fada incumbiu um saltitante e esperto grilo na tarefa de ajudar Pinóquio a reconhecer o certo e o errado, dessa forma poderia se desenvolver mais rápido e alcançar seu almejado sonho: tornar-se um menino de verdade.
    No dia seguinte, ao acordar, Gepeto percebeu-se que o seu desejo havia se tornado realidade.
    Gepeto, que já amava aquele boneco de madeira como seu filho, agora descobria o prazer de acompanhar suas descobertas, observar sua inocência, compartilhar sua vivacidade. Queria ensinar ao seu filho, tudo o que sabia e retribuir a felicidade que o boneco lhe proporcionava.
    Sendo assim, Gepeto resolveu matricular Pinóquio na escola da vila, para que ele pudesse aprender as coisas que os meninos de verdade aprendem, além de fazer amizades.
    Pinóquio seguia a caminho da escola todo contente pensando em como deveria ser seu primeiro dia de aula estava ansioso para aprender a ler e escrever.
    No caminho porém encontrou dois estranhos que logo foram conversando com ele. Era uma Raposa e um Gato, que ficaram maravilhados ao ver um boneco de madeira falante e pensaram em ganhar dinheiro às custas do mesmo.
    __ Não acredito que você vai a escola! Meninos espertos preferem aprender na escola da vida! – falou a Raposa se fazendo de esperta.
    _ Vamos Pinóquio, sem desviar do nosso caminho! Gritou o pequeno e responsável grilo.
    A Raposa e o Gato começaram a contar que estavam indo assistir ao show do teatro de marionetes. Pinóquio não conseguiu vencer sua curiosidade, para ele tudo era novidade, queria conhecer o teatro divertido, do qual os dois estranhos falavam.
    __ Acho até que você poderá trabalhar no teatro, viajar conhecer novas pessoas, ganhar muito dinheiro e comprar coisas para você e para quem você gosta. Continuou a instigar a Raposa.
    O pequeno grilo continuou a falar com Pinóquio, mas este estava tão empolgado que nem o escutava mais.
    Pinóquio então, seguiu com a Raposa e o Gato, rumo à apresentação do teatro de marionetes, deixando seu amigo grilo para trás.


    A Raposa e o Gato venderam o boneco par ao dono do teatro de marionetes.
    Pinóquio sem perceber o acontecido atuou na apresentação dos bonecos e fez grande sucesso com o público.
    Ao final da apresentação, Pinóquio quis ir embora, porém o dono do teatro vai em Pinóquio a sua chance de ganhar muito dinheiro, sendo assim o trancou numa gaiola.
    Pinóquio passou a noite preso, chorando, lembrou do seu pai e teve medo de não vê-lo novamente.
    Já estava amanhecendo quando o Grilo enfim, conseguiu encontrar Pinóquio. Mas não o conseguiu libertar da gaiola. Nesse momento, apareceu a Fada Azul que perguntou ao boneco o que havia acontecido.
    Pinóquio mentiu, contou que havia se perdido e encontrado o dono do teatro de marionetes, que o prendeu e o obrigou aa trabalhar para ele.
    Pinóquio se assustou com o que havia acontecido em seguida.Seu nariz dobrar de tamanho. Assustado, o boneco começou a chorar.
    __ Não chore, Pinóquio! disse a Fada Azul abrindo com a sua varinha mágica o cadeado da gaiola. __ Sempre que você mentir seu nariz o denunciará e crescerá. A mentira é algo aparente, é errado e não deve fazer parte de quem possui um bom coração.- Continuou a Fada.
    __ Não quero ter esse nariz! Eu falo a verdade! Quis saber como era um teatro de marionetes e sai do meu caminho.Acabei me dando mal.
    __ Não minta novamente, Pinóquio! Lembre-se que para ser um menino de verdade, você deve fazer por merecer.- disse a fada , desaparecendo em seguida.
    Pinóquio estava voltando para casa com o grilo, quando viu três crianças correndo sorridentes em uma direção oposta à sua.
    Como era muito curioso, Pinóquio perguntou a um dos meninos onde ele ia.
    __ Estamos indo pegar um barco para a Ilha da Diversão.Lá existe um enorme parque com brinquedos e doces à vontade. Criança lá não estuda.Só se diverte!
    Pinóquio achou a idéia de uma ilha como aquela tentadora.Parou no meio do caminho e olhou na direção dos meninos que corriam.
    __ Não, Pinóquio! Dúvida, não! O que eles estão fazendo parece bom, divertido, mas é errado.Fazer o que é errado traz más conseqüências. – disse o esperto grilo. Os meninos, já um pouco distantes chamavam Pinóquio para ir junto.
    __Ah! Grilo, eu vou só conhecer a ilha,. Não ficarei lá para sempre.- disse o inocente boneco, já correndo em direção aos meninos.
    O grilo não concordou, mas seguiu Pinóquio, afinal era responsável por ele.
    Pinóquio entro num barco cheio de crianças que ia para a tal ilha.
    Ao chegarem na ilha, as crianças correram em direção aos brinquedos. Podia-se brincar à vontade,comer doces o quanto quisessem.
    O grilo observava, desapontado, o boneco se divertindo.
    A noite chegou, e as crianças exaustas de tanto brincar, dormiram no chão, espalhadas pelo parque. Algumas sentiam dores na barriga de tanto comer doces.
    Pinóquio estava quase dormindo, quando o grilo o acordou.
    __Pinóquio, o que está acontecendo?
    __O que grilo? Estou com sono.Está acontecendo que todos estão dormindo. - disse o boneco sonolento.
    _ Não estou falando disso, Pinóquio! Falo das orelhas de vocês! Estão com orelhas... de burro! – disse o grilo preocupado.
    Pinóquio despertou e assustado correu em direção a um lago, para ver seu reflexo na água.
    Várias crianças já haviam percebido o que estava acontecendo e choravam assustadas.
    Pinóquio ficou com m muito medo, pois via que outras crianças já estavam também com rabo de burro.
    O grilo chamou o boneco para saírem imediatamente da ilha. Devia ser algum feitiço.Em troca da diversão que tiveram estavam se transformando em burros.
    Pinóquio correu em direção a um pequeno barco.Com ele, iam o grilo e outras crianças. Porém, ninguém conseguia dirigir o barco.
    Pinóquio, chorando, chamou a fada Azul.
    _ Fada Azul, por favor, nos ajude!
    A fada apareceu, ficou feliz por Pinóquio pedir ajuda também pelas outras crianças.
    Ao perguntar ao boneco o que havia acontecido, a Fada recebeu deste outra mentira. Pinóquio mentiu que havia seguido um menino que ia para a mesma vila que o Gepeto morava e acabaram se perdendo.
    No mesmo instante, o nariz do boneco começou a crescer.
    Assustado, Pinóquio lembrou do que a fada havia dito e falou a verdade.
    Seu nariz voltou ao normal, e a Fada anulou o feitiço que estava fazendo Pinóquio e as outras crianças se transformarem em burros.
    Pinóquio seguiu com o grilo em direção à sua casa na vila. Sentia muita saudade do seu pai Gepeto. Estava começando a entender que o seu pai queria sempre o melhor para ele, e o melhor, naquele momento, era a seu lar, a escola e a vila.
    Ao chegar em casa, Pinóquio não encontrou Gepeto. Com medo, ficou imaginando que Gepeto poderia ter morrido de tristeza com o seu sumiço. Mas o grilo encontrou um bilhete de Gepeto, pendurado na porta.
    No bilhete, Gepeto dizia que ia de barco procurar o seu filho amado.
    Pinóquio foi em direção à praia, junto com o grilo.
    Chegando lá, não viram nenhum sinal do barco do Gepeto.
    Pinóquio ficou sabendo por uns pescadores que um pequeno barco havia sido engolido por uma baleia naquela manhã.
    O boneco imediatamente pensou que se tratava de Gepeto e atirou-se ao mar, para procurar a tal baleia.
    O grilo foi atrás de Pinóquio. Ambos nadaram bastante até encontrarem uma enorme criatura.
    O grilo avisou ao boneco que aquela era uma baleia. Pinóquio se colocou na frente do animal e em poucos segundos foi engolido por ela. O grilo que o acompanhava todo o tempo,também foi engolido.
    Ao chegarem no estômago do animal, viram um pequeno barco e Gepeto, triste, cabisbaixo, sentado com as mãos na cabeça.
    Ao ver o boneco, Gepeto sorriu e correu ao seu encontro.
    Pinóquio abraçou o pai e pediu desculpas por ter agido mal.
    __ A única coisa que importa, meu filh,o, é que você está bem. -disse o bondoso velhinho
    Pinóquio teve a idéia de fazerem uma fogueira com pedaços de madeira do barco, assim a baleia podia espirrar e atirá-los para fora da sua barriga.
    O plano deu certo, e a baleia espirrou o barco onde estavam Gepeto, Pinóquio e o grilo.
    Ao chegarem à praia, Pinóquio e Gepeto novamente se abraçaram felizes por ter dado tudo certo.
    _ Prometo ser obediente, papai! Não mentir e cumprir meus deveres. –disse o boneco.
    Gepeto ficou orgulhoso do filho. Sabia que Pinóquio tinha aprendido valiosas lições.
    Nesse momento, a Fada Azul apareceu e sorridente disse ao boneco:
    __ Você aprendeu as diferenças entre o bem e o mal. O valor do amor, da lealdade .Tudo o que fazemos tem uma conseqüência, que pode ser boa ou ruim dependendo de como agimos. Por tudo o que você aprendeu e pelo modo como agiu, agora farei de você será um menino de verdade!
    Assim, a Fada transformou Pinóquio em um menino de verdade. E este viveu muito feliz com o seu pai, Gepeto, e com o amigo grilo.

  • O Príncipe Sapo

    O Príncipe Sapo

    Há muito tempo, quando os desejos funcionavam, vivia um rei que tinha filhas muito belas. A mais jovem era tão linda que o sol, que já viu muito, ficava atônito sempre que iluminava seu rosto.
    Perto do castelo do rei havia um bosque grande e escuro no qual havia um lagoa sob uma velha árvore.
    Quando o dia era quente, a princesinha ia ao bosque e se sentava junto à fonte. Quando se aborrecia, pegava sua bola de ouro, a jogava alto e recolhia. Essa bola era seu brinquedo favorito. Porém aconteceu que uma das vezes que a princesa jogou a bola, esta não caiu em sua mão, mas sim no solo, rodando e caindo direto na água.
    A princesa viu como ia desaparecendo na lagoa, que era profunda, tanto que não se via o fundo. Então começou a chorar, mais e mais forte, e não se consolava e tanto se lamenta, que alguém lhe diz:
    - Que te aflige princesa? Choras tanto que até as pedras sentiriam pena. Olhou o lugar de onde vinha a voz e viu um sapo colocando sua enorme e feia cabeça fora da água.
    - Ah, és tu, sapo - disse - Estou chorando por minha bola de ouro que caiu na lagoa.
    - Calma, não chores -, disse o sapo; Posso ajudar-te, porém, que me darás se te devolver a bola?
    - O que quiseres, querido sapo - disse ela, - Minhas roupas, minhas pérolas, minhas jóias, a coroa de ouro que levo.
    O sapo disse:
    - Não me interessam tuas roupas, tuas pérolas nem tuas jóias, nem a coroa. Porém me prometes deixar-me ser teu companheiro e brincar contigo, sentar a teu lado na mesa, comer em teu pratinho de ouro, beber de teu copinho e dormir em tua cama; se me prometes isto eu descerei e trarei tua bola de ouro".
    - Oh, sim- disse ela - Te prometo tudo o que quiseres, porém devolve minha bola; mas pensou- Fala como um tolo. Tudo o que faz é sentar-se na água com outros sapos e coachar. Não pode ser companheiro de um ser humano.
    O sapo, uma vez recebida a promessa, meteu a cabeça na água e mergulhou. Pouco depois voltou nadando com a boa na boa, e a lançou na grama. A princesinha estava encantada de ver seu precioso brinquedo outra vez, colheu-a e saiu correndo com ela.
    - Espera, espera - disse o sapo; Leva-me. Não posso correr tanto como tu - Mas de nada serviu coachar atrás dela tão forte quanto pôde. Ela não o escutou e correu para casa, esquecendo o pobre sapo, que se viu obrigado a voltar à lagoa outra vez.
    No dia seguinte, quando ela sentou à mesa com o rei e toda a corte, estava comendo em seu pratinho de ouro e algo veio arrastando-se, splash, splish splash pela escada de mármore. Quando chegou ao alto, chamou à porta e gritou:
    - Princesa, jovem princesa, abre a porta.
    Ela correu para ver quem estava lá fora. Quando abriu a porta, o sapo sentou-se diante dela e a princesa bateu a porta. Com pressa, tornou a sentar, mas estava muito assustada. O rei se deu conta de que seu coração batia violentamente e disse:
    - Minha filha, por que estás assustada? Há um gigante aí fora que te quer levar?
    - Ah não, respondeu ela - não é um gigante, senão um sapo.
    - O que quer o sapo de ti?

    - Ah querido pai, estava jogando no bosque, junto à lagoa, quando minha bola de ouro caiu na água. Como gritei muito, o sapo a devolveu, e porque insistiu muito, prometi-lhe que seria meu companheiro, porém nunca pensei que seria capaz de sair da água.
    Entretanto o sapo chamou à porta outra vez e gritou:
    - Princesa, jovem princesa, abre a porta. Não lembras que me disseste na lagoa?
    Então o rei disse:
    - Aquilo que prometeste, deves cumprir. Deixa-o entrar.
    Ela abriu a porta, o sapo saltou e a seguiu até sua cadeira. Sentou-se e gritou: - Sobe-me contigo.
    Ela o ignorou até que o rei lhe ordenou. Uma vez que o sapo estava na cadeira, quis sentar na mesa. Quando subiu, disse:
    - Aproxima teu pratinho de ouro porque devemos comer juntos.
    Ela o vez, porém se via que não de boa vontade. O sapo aproveitou para comer, porém ela enjoava a cada bocado. Em seguida disse o sapo:
    - Comi e estou satisfeito, mas estou cansado. Leva-me ao quarto, prepara tua caminha de seda e nós dois vamos dormir.
    A princesa começou a chorar porque não gostava da idéia de que o sapo ia dormir na sua preciosa e limpa caminha. Porém o rei se aborreceu e disse:
    - Não devias desprezar àquele que te ajudou quando tinhas problemas.
    Assim, ela pegou o sapo com dois dedos, e a levou para cima e a deixou num canto. Porém, quando estava na cama o sapo se arrastou até ela e disse:
    - Estou cansado, eu também quero dormir, sobe-me senão conto a teu pai.
    A princesa ficou então muito aborrecida. Pegou o sapo e o jogou contra a parede.
    - Cale-se, bicho odioso; disse ela.
    Porém, quando caiu ao chão não era um sapo, e sim um príncipe com preciosos olhos. Por desejo de seu pai ele era seu companheiro e marido. Ele contou como havia sido encantado por uma bruxa malvada e que ninguém poderia livrá-lo do feitiço exceto ela. Também disse que no dia seguinte iriam todos juntos ao seu reino.
    Se foram dormir e na manhã seguinte, quando o sol os despertou, chegou uma carruagem puxada por 8 cavalos brancos com plumas de avestruz na cabeça. Estavam enfeitados com correntes de ouro. Atrás estava o jovem escudeiro do rei, Enrique. Enrique havia sido tão desgraçado quando seu senhor foi convertido em sapo que colocou três faixas de ferro rodeando seu coração, para se acaso estalasse de pesar e tristeza.
    A carruagem ia levar ao jovem rei a seu reino. Enrique os ajudou a entrar e subiu atrás de novo, cheio de alegria pela libertação, e quando já chegavam a fazer uma parte do caminho, o filho do rei escutou um ruído atrás de si como se algo tivesse quebrado. Assim, deu a volta e gritou:
    - Enrique, o carro está se rompendo.
    - Não amo, não é o carro. É uma faixa de meu coração, a coloquei por causa da minha grande dor quando eras sapo e prisioneiro do feitiço.
    Duas vezes mais, enquanto estavam no caminho, algo fez ruído e cada vez o filho do rei pensou que o carro estava rompendo, porém eram apenas as faixas que estavam se desprendendo do coração de Enrique porque seu senhor estava livre e era feliz.

  • No Circo

    No Circo

    Domingo no circo! Não há nada mais divertido.

    Quando eu era criança, lembro que desde cedo eu já ficava esperando, o almoço parecia não chegar nunca! Depois vinha a sexta, e lá pela três da tarde meu pai se levantava e dizia:

    - Bom, bom, será que alguém quer dar um passeio?

    Era o sinal. Eu e minha irmã corríamos para tomar banho, minha mãe nos vestia com as melhores roupas e lá íamos nós, contentes da vida!

    O meu número preferido era o dos trapezistas.

    Eles voavam de um lado para o outro, parecendo pássaros, e o público todo ficava olhando aqui de baixo, de boca aberta.

    Quando o espetáculo terminava, ainda tinha a pipoca a caminho de casa.Chegávamos cansados, mas felizes. E, de noite, eu sonhava em voar naquele céu de lona.

  • Mulan

    Mulan

    Mulan, linda história infantil.
    Historia da Mulan para crianças

    Naquela Manhã, Mulan, uma jovem chinesa,
    precisava ir ao encontro da casamenteira do povoado.Estava na hora de escolher um marido.
    Antes de sair, Mulan correu para servir o chá a seu pai.
    - É bom se apressar! - disse ele.
    - Você está atrasada - repreendeu a avó.
    - Vá se vestir e se pentear, rápido!
    Finalmente Mulan ficou pronta.
    - Leve esse gafanhoto - disse a avó.
    - Ele vai lhe trazer sorte.
    Que catástrofe!
    Diante da casamenteira, Mulan só fez bobagens.
    Irritada, a casamenteira mandou Mulan voltar para casa.
    A jovem ficou muito triste!
    - Não faz mal - consolou-a o pai.
    - Você ainda não estava pronta para o casamento!
    Estourou a guerra! Seu pai foi convocado para servir, mas Mulan tinha medo, pois seu pai já estava velho. Resolveu então ir no seu lugar.
    Mulan se disfarçou de rapaz e partiu
    a todo o galope para juntar-se ao exército.
    - Capitão! - exclamou Mulan quando chegou ao acampamento militar.
    - Quero me tornar um soldado!
    Mas não é fácil aprender a lutar quando se é desajeitada!
    Porém Mulan fez progressos e se tornou mais hábil que qualquer outro soldado.
    Com a ajuda de seu companheiro,

    Mushu e graças a sua audácia e coragem os chineses ganharam a guerra.
    Mais tarde no palácio, o Imperador felicitou Mulan, e todos os súditos se inclinaram diante dela.
    - Minha filha, estamos muito orgulhosos de você! - declarou o pai, abraçando-a.

  • A Bela adormecida

    A Bela adormecida

    ERA UMA VEZ num reino distante, um rei e uma rainha que tiveram uma linda princesinha, a quem chamaram de Aurora.

    Para celebrar o seu nascimento, todas as fadas foram convidadas para madrinhas. Cada uma das fadas, como prenda, concedeu à princesinha um dom especial. Todas excepto uma, a fada má, que não foi convidada.

    Esta, sabendo que todas as outras fadas tinham sido convidadas para celebrar o nascimento da princesa Aurora, decidiu aparecer na mesma à festa e, em vez de lhe conceder um dom à pequena princesa, lançou-lhe uma maldição:

    - Princesa Aurora, no dia em que fizeres 15 anos irás picar-te num fuso e morrerás!

    Todos no castelo ficaram muito aflitos. Por sorte, havia uma fada boa que ainda não tinha concedido o seu desejo e, não podendo evitar que Aurora se viesse a picar num fuso, alterou o feitiço da fada má, de modo que a princesinha em vez de morrer, caísse num sono profundo. Este feitiço só poderia ser quebrado ao fim de cem anos, quando um príncipe que por lá passasse se apaixonasse pela princesa e a beijasse.

    Mesmo assim, o rei mandou destruir imediatamente todos os fusos e rocas que existiam no reino, para impedir que a sua filha se picasse.

    Os anos passaram e a vida continuou sem nenhuma agitação, tornando-se a maldição apenas uma má lembrança.

    No dia do seu décimo quinto aniversário a princesa, que brincava no jardim, é estranhamente atraída para a floresta. Lá encontra uma casa abandonada e decide entrar…

    Dentro da casa ela encontrou um objeto pontiagudo que não reconhecia.

    - Que objeto tão estranho… que será?

    Não resistindo à curiosidade pegou nele e acidentalmente picou-se! Imediatamente a princesinha cai num sono profundo.

    A fada boa encontra a princesinha adormecida e leva-a para o castelo, deitando-a na sua cama real. A fada decide também adormecer todos os habitantes do castelo, num sono profundo durante cem anos.

    Entretanto no reino corre a lenda de uma bela princesa adormecida…

    Um belo dia, um jovem e corajoso príncipe consegue atravessar a densa floresta que envolvia o castelo e encontra todos os seus habitantes adormecidos. Sabendo da lenda, dirige-se ao quarto da princesa e descobre a jovem mais bela que alguma vez vira, e não resiste a beijá-la.

    Nesse momento, a princesa acorda, assim como todos os seus habitantes. A vida tinha voltado ao castelo!

    Nesse mesmo dia celebrou-se o casamento entre a bela princesa Aurora e o corajoso príncipe, que viveram felizes para sempre.

  • Cachos Dourados e os três Ursinhos

    Cachos Dourados e os três Ursinhos

    ERA UMA VEZ uma família de ursos que vivia na floresta. Todos os domingos, o papá Urso, a mamã Ursa e o filho Ursinho, vestidos com as suas roupas mais bonitas, costumavam dar um passeio pelo bosque, antes da hora de almoço. A mamã Ursa, antes de sair, deixava já na mesa três taças de leite, para que assim que chegassem, pudessem logo sentar-se à mesa e comer. Passado pouco tempo da família de Ursos ter saído de casa, uma menina loira, chamada Cachos Dourados, perdeu-se na floresta, e foi ter perto da casa dos três ursos. Como era muito curiosa e tinha fome, entrou na casa sem bater à porta. Lá dentro, não viu ninguém e, ao aproximar-se da mesa, viu as três taças de leite, que provou. Na taça grande, o leite estava muito quente, na média estava muito frio e na taça pequena, como o leite estava morno, ela bebeu-o. Depois, viu três cadeiras e, como estava cansada, experimentou-as. A primeira cadeira era muito grande e ela não se conseguia sentar; a segunda cadeira era muito larga e ela escorregava; a terceira era tão pequenina e frágil que, quando ela se sentou partiu-se!

    Mesmo assim, Cachos Dourados não se incomodou, e subiu as escadas, encontrando dois lindos quartos. No primeiro, que era rosa, tinha duas camas, uma grande e uma média. No segundo, que era azul, tinha uma cama pequena. Experimentou a cama grande mas era muito dura. A seguir, experimentou a média mas achou-a muito mole. No quarto azul, deitou-se na cama pequena e achou-a tão confortável que adormeceu.

    Entretanto, os três Ursos chegavam a casa do seu passeio. Ao aproximarem-se da porta, ficaram surpreendidos, pois esta se encontrava aberta. Quando entraram, viram a sala toda desarrumada, e o Ursinho gritou: “Alguém bebeu do meu leite e partiu a minha cadeira!”. E o papá perguntou: “Quem armou esta confusão?”. Então, os três ursos subiram as escadas, e entraram no primeiro quarto. A mamã Ursa exclamou: “Alguém esteve deitado nas nossas camas!”. E logo a mamã e o papá Urso ouviram o Ursinho gritar, do outro quarto: “Papá, Mamã, venham rápido, pois está uma menina a dormir na minha cama!”.

    Assim que o papá Urso e a mamã Ursa entraram no quarto, e com toda a confusão que se estava a passar, Cachos Dourados acordou, sobressaltada e, ao ver os três ursos, correu em direção à janela. O Papá Urso, para evitar que Cachos Dourados caísse, correu atrás dela e conseguiu segurá-la pelo vestido. Depois de conseguirem acalmar Cachos Dourados e explicar-lhe que aquela era a casa dos Ursos, ela e o Ursinho ficaram amigos e, Cachos Dourados prometeu nunca mais mexer nas coisas das outras pessoas sem autorização, nem voltar a afastar-se dos seus pais.

  • Branca de Neve e os sete anões

    Branca de Neve e os sete anões

    ERA UMA VEZ um rei que vivia num reino distante, com a sua filha pequena, que se chamava Branca de Neve. O rei, como se sentia só, voltou a casar, achando que também seria bom para a sua filha ter uma nova mãe. A nova rainha era uma mulher muito bela mas também muito má, e não gostava de Branca de Neve que, quanto mais crescia, mais bela se tornava.

    A rainha malvada tinha um espelho mágico, ao qual perguntava, todos os dias:

    - Espelho meu, espelho meu, haverá mulher mais bela do que eu?

    E o espelho respondia:

    - Não minha rainha, és tu a mulher mais bela!

    Mas uma manhã, a rainha voltou a perguntar o mesmo ao espelho, e este respondeu:

    - Tu és muito bonita minha rainha, mas Branca de Neve é agora a mais bela!

    Enraivecida, a rainha ordenou a um dos seus servos que levasse Branca de Neve até à floresta e a matasse, trazendo-lhe de volta o seu coração, como prova.

    Mas o servo teve pena da Branca de Neve e disse-lhe para fugir em direcção à floresta e nunca mais voltar ao reino.

    Já na floresta, Branca de Neve conheceu alguns animais, os quais se tornaram seus amigos. Também encontrou uma pequenina casa e bateu a sua porta. Como ninguém respondeu e a porta não estava fechada à chave, entrou. Era uma casa muito pequena, que tinha sete caminhas, todas muito pequeninas, assim como as cadeiras, a mesa e tudo o mais que se encontrava na casa. Também estava muito suja e desarrumada, e Branca de Neve decidiu arrumá-la. No fim, como estava muito cansada, deitou-se nas pequenas camas, que colocou todas juntas, e adormeceu.

    A casa era dos sete anões que viviam na floresta e, durante o dia, trabalhavam numa mina.

    Ao anoitecer, os sete anões regressavam à sua casinha, quando deram com Branca de Neve, adormecida nas suas caminhas. Que surpresa! Com tanta excitação, Branca de Neve acordou, espantada e rapidamente se apresentou:

    - Eu sou a Branca de Neve.

    E os sete anões, todos contentes, também se apresentaram:

    - Eu sou o Feliz!

    - Eu sou o Atchim e este é o Miudinho.

    - Eu sou o Sabichão, e estes são o Dorminhoco e o Envergonhado.

    - E eu sou o Rezingão!

    - Prazer em conhecê-los. Respondeu Branca de Neve, e logo contou a sua triste história. Os anões convidaram Branca de Neve a viver com eles e ela aceitou, prometendo-lhes que tomaria conta da casa deles.

    Mas a rainha má, através do seu espelho mágico, descobriu que Branca de Neve estava viva e que vivia na floresta com os anões.

    Então, furiosa, vestiu-se de senhora muito velha e feia e foi ter com Branca de Neve. Com ela levou um cesto de maças, no qual tinha colocado uma maça vermelha que estava envenenada!

    Quando viu Branca de Neve, cumprimentou-a gentilmente, e ofereceu-lhe a maça que tinha veneno.

    Ao trincá-la, Branca de Neve caiu, como se estivesse morta. A malvada rainha fugiu e, avisados pelos animais do bosque, os sete anões regressam apressadamente a casa, encontrando Branca de Neve caída no chão.

    Muito chorosos, os anões colocam Branca de Neve numa caixa de vidro, rodeada por flores.

    Estavam todos em volta de Branca de Neve, quando surgiu, no meio do bosque, um príncipe no seu cavalo branco. Ao ver Branca de Neve, o príncipe de imediato se apaixonou por ela e, num impulso, beijo-a. Branca de Neve acordou: Afinal estava viva!

    Os anões saltaram de alegria e Branca de Neve ficou maravilhada com o príncipe!

    O príncipe levou Branca de Neve para o seu castelo, onde casaram e viveram muito felizes para sempre.

  • A história do Eu, do Tu e do Ele

    A história do Eu, do Tu e do Ele

    Era uma vez o Eu, o Tu e o Ele que moravam na mesma rua, numa pequena cidade.

    Cada um deles vivia numa linda casinha, muito confortável, com vista para o mar. Os três tinham uma boa vida pois nada lhes faltava: tinham boa comida, muitos brinquedos e uma caminha muito fofinha onde todas as noites se aconchegavam e sonhavam lindos sonhos.

    Mesmo não tendo nada de mau nas suas vidas, o Eu, o Tu e o Ele sentiam que algo lhes faltava, mas não conseguiam descobrir o quê.

    Numa linda manhã de sol, cada um deles saiu da sua casinha para dar um passeio, e coincidiu de se encontrarem, os três, à beira mar. Por um instante, ficaram a olhar uns para os outros espantados, pois nunca se tinham visto antes.

    Então os três, curiosos em saber quem era cada um deles, começaram a falar todos ao mesmo tempo, perguntando uns aos outros, quem eram, onde viviam e quais eram as suas brincadeiras favoritas.

    Depois de muita conversa, gargalhadas e brincadeiras, o Eu, o Tu e o Ele descobriram finalmente aquilo que lhes faltava… Eles precisavam de amigos! Precisavam de outros com quem pudessem partilhar os seus afetos, as suas conversas e brincadeiras.

    A partir daí, o Eu, o Tu e o Ele, passaram a ser Nós, um grupo de amigos muito unidos e feliz!

  • AS MÃOS DE MINHA MÃE

    AS MÃOS DE MINHA MÃE

    Faz anos, quando minha irmã mais velha tinha meses de idade, aconteceu adormecer no quartoda frente. Mamãe estivera ocupada com o serviço da casa e, ao aproximar-se da hora do almoço,encheu o fogão de querosene, preparando-se para cozinhar o almoço.Cheio o fogão, mamãe riscou um fósforo para acender. Seguiu-se terrível explosão, e em brevea pequenina casa se achava em chamas. Na explosão minha mãe ficou seriamente ferida. O braçoesquerdo e o ombro ficaram em carne viva. Os vizinhos acorreram à cena e ajudaram-na a pôr-seem segurança.O corpo de bombeiros da pequenina cidade; com seu primitivo aparelhamento daquelestempos, apareceu dentro de alguns minutos. Por essa altura toda a casa era uma verdadeirafornalha.Naturalmente, a primeira coisa de que mamãe se lembrou ao recuperar-se do choque, foi acriancinha adormecida em meio àquelas chamas. Os bombeiros e os espectadores disseram nãohaver esperança de penetrar nos aposentos cheios de fumaça e dos caibros a cair. Desprendendo-se, porém, dos que a procuravam conter, mamãe precipitou-se para a incendiada casa, abrindocaminho por entre o fumo e as chamas, em direção do quarto em que se achava sua filhinha – ainda adormecida.Agarrando-a com aqueles braços já horrivelmente queimados pela explosão, mamãe carregou o precioso fardo para fora, a salvo. Apenas uma cicatriz produzida por um botão quente assinalouminha irmã mais velha, mas mamãe levou ao túmulo os vestígios de seu ato de heroísmo.Por mais de um ano esteve ela em tratamento, enquanto a pele enxertada ia aos poucoscobrindo as feridas. Aqueles repuxados tendões desfiguraram-lhe a bela mão, e feias cicatrizesmarcaram o braço que transportou a pequenina para lugar seguro. Aqueles dentre nós, porém, queconheciam a história que se achava por trás daquelas cruéis cicatrizes, amávamos aquela mãe, quea constrange a não poupar a própria vida para salvar seu filho!Como esse amor tem inspirado e moldado à vida dos grandes homens deste mundo! Podemosseguir, através dos séculos, a influência do amor e da educação de uma mãe.Aí está José, o jovem escravo que se tornou poderoso governador do Egito – o segundo Faraó.Em meio de adversidade e popularidade José não se desviou da senda da retidão. Por que?Porque, como menino aos joelhos de Raquel, absorvera de sua piedosa mãe aqueles princípios deverdade e justiça que o mantiveram fiel ao ser combatido pelas ondas da tentação.Jorge Washington foi, em sua infância, moldado pelo caráter e o amor de uma piedosa mãe.Abraão Lincoln disse uma vez: “Tudo quanto eu sou ou tudo quanto ainda espero ser, devo aminha angélica mãe!”.“O trabalho da mãe muitas vezes se afigura, aos seus próprios olhos, sem importância. Rarasvezes é apreciado. Pouco sabem os outros de seus muitos cuidados e encargos. Seus dias sãoocupados com uma série de pequeninos deveres, exigindo todos paciente esforço, domínio de simesma, tato, sabedoria e abnegado amor; todavia ela se não pode vangloriar do que fez como dealgum importante feito. Fez apenas com que tudo corresse suavemente no lar; muitas vezesfatigada e perplexa, esforçou-se por falar bondosamente às crianças, mantê-las ocupadas esatisfeitas, guiar os pequeninos pés no caminho reto. Sente que nada fez. Assim não é, entretanto.Anjos do céu observam a mãe, fatigada de cuidados, notando suas responsabilidades dia a dia.Seu nome pode não ser ouvido no mundo; achava-se, porém, escrito no livro da vida doCordeiro.“Existe um Deus no céu, e a luz e glória do Seu trono repousam sobre a fiel mãe enquanto elase esforça por educar os filhos para resistirem à influência do mal. Nenhuma outra obra se podecomparar a sua em importância. Ela não tem, como o artista, de pintar na tela uma bela forma,nem, como o escultor, de cinzelá-la no mármore. Não tem, como o escritor, de expressar um
    Historias Infantis Ministério da Criança, DSA
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    nobre pensamento em eloqüentes palavras, nem, como o músico, de exprimir em melodia um belo sentimento. Cumpre-lhe, com o auxílio divino, gravar na alma humana a imagem de Deus”.Quão adequado, neste Dia das Mães, que nos detenhamos um pouco e prestemos um tributo aquem tantas vezes tem enchido plenamente a medida da dedicação por aqueles a quem ama! Por intermédio de sua ilimitada afeição, quanto filho ou filha coxeante não tem sido conduzido à luzdo supremo amor celeste! Que alegre dia de reunião será aquele em que as piedosas mães detodos os séculos se encontrarem com os seus ao redor do grande trono branco!“Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que se não compadeça dele, do filhode seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, Eu, todavia, não Me esquecerei de ti. Eis quenas palmas das Minhas mãos te tenho gravado: os teus muros estão continuamente perante Mim”.Isaías 49:15 e 16.Não quereis vós, neste Dia das Mães – enquanto o coração se acha enternecido ao pensamentodo lar e da mãe – pensar também naquele incomparável amor de Cristo e entrar com Ele em maisíntimas relações – com Ele que vos amou e Se entregou a Si mesmo por vós?

  • As três árvores (conto de Natal)

    As três árvores (conto de Natal)

    Era uma vez... , no alto de uma montanha, três pequenas árvores que sonhavam o que queriam ser depois de grandes.

    A primeira, olhando as estrelas disse: “Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros. Para tal me disponho a ser cortada”

    A Segunda árvore olhou para o riacho e suspirou: “Eu quero ser um grande navio, para transportar reis e rainhas”.

    A terceira árvore olhou o vale e disse: “Quero ficar aqui, no alto da montanha, e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para mim, levantem seus olhos e pensem em Deus”.

    Anos se passaram e, certo dia, três lenhadores, nada ecológicos, vieram e cortaram as três árvores, ansiosas por serem transformadas naquilo em que sonhavam.

    Mas lenhadores não costumam ouvir, nem entender de sonhos... que pena!

    A primeira árvore acabou sendo transformada num cocho coberto de feno para animais.

    A Segunda virou um simples e pequeno barco de pesca, carregando gente e peixes todos os dias.

    E a terceira, mesmo sonhando ficar no alto da montanha, acabou em grossas vigas e colocada de lado num depósito.

    E as três se perguntavam desiludidas e tristes: “Por que isto?”.

    Numa certa noite, cheia de luz e de estrelas, em que haviam mil melodias no ar, uma jovem colocou seu bebê recém-nascido naquele cocho de animais. E, de repente, a primeira árvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo.

    A Segunda árvore, anos mais tarde, transportou um homem, que acabou dormindo no barco. Quando a tempestade quase afundou o nosso pequeno barco, este homem levantou-se e disse: “Paz!”. E, num relance, a Segunda árvore entendeu que estava carregando o rei do céu e da terra.

    Tempos mais tarde, numa Sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela. Sentiu-se horrível e cruel. No Domingo seguinte, o mundo vibrou de alegria e a terceira árvore entendeu que nela havia sido pregado um homem para a salvação da humanidade, e que as pessoas se lembrariam de Deus e de seu filho Jesus Cristo ao olharem para ela.

    As árvores tinham tido sonhos... mas a sua realização foi mil vezes melhor e mais sábia do que haviam imaginado.

  • Joãozinho Semente de Maçã

    Joãozinho Semente de Maçã

    Era uma vez, um menino chamado Joãozinho, ele gostava muito de comer maçãs e ficava muito feliz ao ver as pequenas sementinhas marrons e lustrosas que dormiam lá dentro. Um dia sua mãe lhe contou que cada uma dessas sementinhas poderia transformar-se numa macieira, se fosse posta na terra, aquecida pelo sol, regada pela chuva e abençoada por Deus.

    Joãozinho então começou a juntar as sementinhas e todo o mundo chamava-o Joãozinho Semente de Maçã. Quando já havia juntado uma boa porção, pediu a sua mãe:

    __Por favor, mãezinha, costura-me uma bolsinha para que eu possa guardar as minhas sementes!

    A mãe pegou um retalhinho de pano e costurou uma bolsinha onde Joãozinho os as sementes.

    Quando a bolsinha ficou cheia, ele foi falar com sua mãe:

    __Por favor, mãezinha, costure uma bolsa maior para minhas sementinhas!

    A mãe pegou um retalho maior, costurou uma bolsa maior para Joãozinho por as sementinhas nela. E quando essa bolsa também ficou cheia, Joãozinho foi pedir mais uma vez à sua mãe:

    __Por favor, mãezinha, costure uma bolsa maior para minhas sementinhas!

    Depois que a bolsa ficou cheia ele foi pedir mais uma vez à sua mãe, e ela então pegou um pano bem grande e costurou um grande saco.

    Quando este saco ficou cheio, Joãozinho já era João, um jovem, e disse a sua mãe:

    __Agora irei pelo mundo e plantarei as sementes, para que todas as crianças possam se alegrar com as maçãs.

    E preparou-se ara a viagem: sapatos ele não tinha, mas estava acostumado a andar descalço e as solas de seus pés estavam bem grossas; na cabeça pôs uma panela; numa mão levou um bastão; e no ombro o saco com as sementes. Mas levava também um livro cheio de orações e histórias santas para pedir a benção de Deus.

    assim disse adeus à sua mãe e saiu cantando:

    ”O bom Deus cuida de mim,
    eu vou cantando assim:
    Agradeço seus presentes.
    A chuva, o sol e as sementes”
    Por onde João Semente de Maçã passava, ele plantava as sementinhas. Às vezes, ele passava a noite numa fazenda ou ficava uns dias ajudando por lá. Quando se despedia espalhava as sementinhas de maça em volta da casa. Eles teriam um belo pomar um dia!

    Ele continuou caminhando, caminhando, caminhando, sempre seguindo o sol, até que um dia não pôde continuar: ele havia chegado ao mar e o saco estava vazio. Durante o inverno ficou morando com uns amigos e na primavera quando tomou o seu caminho ara voltar para casa, a primeira plantinha de maça que encontrou já havia crescido e não era maior que seu dedo mindinho. As próximas plantinhas já tinham o tamanho de seu dedo anular, outras estavam como o dedo médio e algumas já tinham o tronco da grossura do seu polegar. Continuou andando e foi encontrando árvores cada vez maiores, primeiro do tamanho de sua mão, depois Do comprimento do seu antebraço, e do comprimento do braço todo. E cada vez maiores estavam, até que ele chegou em casa. Lá as árvores estavam da altura dele. Sua mãe ouviu-o chegar cantando:

    “o bom Deus cuida de mim
    e vou cantando assim:
    Agradeço seus presentes
    a chuva, o sol e as sementes.”
    Ela correu a encontrá-lo e deu-lhe uma maça que havia amadurecido nas suas árvores.

    Essa e a história de Joãozinho Semente de Maçã.

  • O Sapo e a Cobra

    O Sapo e a Cobra

    Esta é uma lenda africana. Muito interessante. Uma boa história para propor às crianças uma reflexão sobre as nossas atitudes e relacionamentos intepessoais. Fica a dica!

    Era uma vez um sapinho que encontrou um bicho comprido, fino, brilhante e colorido deitado no caminho.
    -Olá! O que você está fazendo estirada na estrada?
    - Estou me esquentando aqui no sol. Sou uma cobrinha, e você?
    - Um sapo. Vamos brincar?
    E eles brincaram a manhã toda no mato.
    - Vou ensinar você a pular.
    E eles pularam a tarde toda pela estrada.
    - Vou ensinar você a subir na árvore se enroscando e deslizando pelo tronco.
    E eles subiram.
    Ficaram com fome e foram embora, cada um para sua casa, prometendo se encontrar no dia seguinte.
    - Obrigada por me ensinar a pular.
    - Obrigado por me ensinar a subir na árvore.
    Em casa, o sapinho mostrou à mãe que sabia rastejar.
    - Quem ensinou isso a você?
    - A cobra, minha amiga.
    - Você não sabe que a família Cobra não é gente boa? Eles têm veneno. Você está proibido de brincar com cobras. E também de rastejar por aí. Não fica bem.
    Em casa, a cobrinha mostrou à mãe que sabia pular.
    - Quem ensinou isso a você?
    - O sapo, meu amigo.
    - Que besteira! Você não sabe que a gente nunca se deu com a família Sapo? Da próxima vez, agarre o sapo e... bom apetite! E pare de pular. Nós, cobras, não fazemos isso.
    No dia seguinte, cada um ficou em seu canto.
    - Acho que não posso rastejar com você hoje.
    A cobrinha olhou, lembrou do conselho da mãe e pensou: " Se ele chegar perto, eu pulo e o devoro".
    Mas lembrou-se da alegria da véspera e dos pulos que aprendeu com o sapinho. Suspirou e deslizou para o mato.
    Daquele dia em diante, o sapinho e a cobrinha não brincaram mais juntos. Mas ficavam sempre ao sol, pensando no único dia em que foram amigos.

  • A Galinha Ruiva

    A Galinha Ruiva

    Um dia uma galinha ruiva encontrou um grão de trigo.
    - Quem me ajuda a plantar este trigo? - perguntou aos seus amigos.
    - Eu não - disse o cão.
    - Eu não - disse o gato.
    - Eu não - disse o porquinho.
    - Eu não - disse o peru.
    - Então eu planto sozinha - disse a galinha. - Cocoricó!
    E foi isso mesmo que ela fez. Logo o trigo começou a brotar e as folhinhas, bem verdinhas, a despontar. O sol brilhou, a chuva caiu e o trigo cresceu e cresceu, até ficar bem alto e maduro.
    - Quem me ajuda a colher o trigo? - perguntou a galinha aos seus amigos.
    - Eu não - disse o cão.
    - Eu não - disse o gato.
    - Eu não - disse o porquinho.
    - Eu não - disse o peru.
    - Então eu colho sozinha - disse a galinha. - Cocoricó!
    E foi isso mesmo que ela fez.
    - Quem me ajuda a debulhar o trigo? - perguntou a galinha aos seus amigos.
    - Eu não - disse o cão.
    - Eu não - disse o gato.
    - Eu não - disse o porquinho.
    - Eu não - disse o peru.
    - Então eu debulho sozinha - disse a galinha. - Cocoricó!
    E foi isso mesmo que ela fez.
    - Quem me ajuda a levar o trigo ao moinho? - perguntou a galinha aos seus amigos.
    - Eu não - disse o cão.
    - Eu não - disse o gato.
    - Eu não - disse o porquinho.
    - Eu não - disse o peru.
    - Então eu levo sozinha - disse a galionha. - Cocoricó!
    E foi isso mesmo que ela fez. Quando, mais tarde, voltou com a farinha, perguntou:
    - Quem me ajuda a assar essa farinha?
    - Eu não - disse o cão.
    - Eu não - disse o gato.
    - Eu não - disse o porquinho.
    - Eu não - disse o peru.
    - Então eu asso sozinha - disse a galinha. - Cocoricó!
    E foi isso mesmo que ela fez. A galinha ruiva assou a farinha e com ela fez um lindo pão.
    - Quem quer comer esse pão? - perguntou a galinha.
    - Eu quero! - disse o cão.
    - Eu quero! - disse o gato.
    - Eu quero! - disse o porquinho
    - Eu quero! - disse o peru.
    - Isso é que não! Sou eu quem vai comer esse pão! - disse a galinha. - Cocoricó!
    E foi isso mesmo que ela fez.

  • A ROUPA NOVA DO REI

    A ROUPA NOVA DO REI

    "Era uma vez um rei, tão exageradamente amigo de roupas novas, que nelas gastava todo o seu dinheiro. Ele não se preocupava com seus soldados, com o teatro ou com os passeios pela floresta, a não ser para exibir roupas novas. Para cada hora do dia, tinha uma roupa diferente. Em vez de o povo dizer, como de costume, com relação a outro rei: "Ele está em seu gabinete de trabalho", dizia "Ele está no seu quarto de vestir".

    A vida era muito divertida na cidade onde ele vivia. Um dia, chegaram hóspedes estrangeiros ao palácio. Entre eles havia dois trapaceiros. Apresentaram-se como tecelões e gabavam-se de fabricar os mais lindos tecidos do mundo. Não só os padrões e as cores eram fora do comum, como, também as fazendas tinham a especialidade de parecer invisíveis às pessoas destituídas de inteligência, ou àquelas que não estavam aptas para os cargos que ocupavam.

    "Essas fazendas devem ser esplêndidas, pensou o rei. Usando-as poderei descobrir quais os homens, no meu reino, que não estão em condições de ocupar seus postos, e poderei substituí-los pelos mais capazes... Ordenarei, então, que fabriquem certa quantidade deste tecido para mim."

    Pagou aos dois tecelões uma grande quantia, adiantadamente, para que logo começassem a trabalhar. Eles trouxeram dois teares nos quais fingiram tecer, mas nada havia em suas lançadeiras. Exigiram que lhes fosse dada uma porção da mais cara linha de seda e ouro, que puseram imediatamente em suas bolsas, enquanto fingiam trabalhar nos teares vazios.

    - Eu gostaria de saber como vai indo o trabalho dos tecelões, pensou o rei. Entretanto, sentiu-se um pouco embaraçado ao pensar que quem fosse estúpido, ou não tivesse capacidade para ocupar seu posto, não seria capaz de ver o tecido.

    Ele não tinha propriamente dúvidas a seu respeito, mas achou melhor mandar alguém primeiro, para ver o andamento do trabalho.

    Todos na cidade conheciam o maravilhoso poder do tecido e cada qual estava mais ansioso para saber quão estúpido era o seu vizinho.

    - Mandarei meu velho ministro observar o trabalho dos tecelões. Ele, melhor do que ninguém poderá ver o tecido, pois é um homem inteligente e que desempenha suas funções com o máximo da perfeição, resolveu o rei.

    Assim sendo, mandou o velho ministro ao quarto onde os dois embusteiros simulavam trabalhar nos teares vazios.

    - "Deus nos acuda!!!" pensou o velho ministro, abrindo bem os olhos. "Não consigo ver nada!"

    Não obstante, teve o cuidado de não declarar isso em voz alta. Os tecelões o convidaram para aproximar-se a fim de verificar se o tecido estava ficando bonito e apontavam para os teares. O pobre homem fixou a vista o mais que pode, mas não conseguiu ver coisa alguma.

    - "Céus!, pensou ele. Será possível que eu seja um tolo? Se é assim, ninguém deverá sabê-lo e não direi a quem quer que seja que não vi o tecido."

    - O senhor nada disse sobre a fazenda, queixou-se um dos tecelões.

    - Oh, é muito bonita. É encantadora!! Respondeu o ministro, olhando através de seus óculos. O padrão é lindo e as cores estão muito bem combinadas. Direi ao rei que me agradou muito.

    - Estamos encantados com a sua opinião, responderam os dois ao mesmo tempo e descreveram as cores e o padrão especial da fazenda. O velho ministro prestou muita atenção a tudo o que diziam para poder reproduzi-lo diante do rei.

    Os embusteiros pediram mais dinheiro, mais seda e ouro para prosseguir o trabalho. Puseram tudo em suas bolsas. Nem um fiapo foi posto nos teares, e continuaram fingindo que teciam. Algum tempo depois, o rei enviou outro fiel oficial para olhar o andamento do trabalho e saber se ficaria pronto em breve. A mesma coisa lhe aconteceu: olhou, tornou a olhar, mas só via os teares vazios.

    - Não é lindo o tecido? Indagaram os tecelões, e deram-lhe as mais variadas explicações sobre o padrão e as cores.

    "Eu penso que não sou um tolo, refletiu o homem. Se assim fosse, eu não estaria à altura do cargo que ocupo. Que coisa estranha!!"... Pôs-se então a elogiar as cores e o desenho do tecido e, depois, disse ao rei: "É uma verdadeira maravilha!!"

    Todos na cidade não falavam noutra coisa senão nessa esplendida fazenda, de modo que o rei, muito curioso, resolveu vê-la, enquanto ainda estava nos teares. Acompanhado por um grupo de cortesões, entre os quais se achavam os dois que já tinham ido ver o imaginário tecido, foi ele visitar os dois astuciosos impostores. Eles estavam trabalhando mais do que nunca, nos teares vazios.

    - É magnífico! Disseram os dois altos funcionários do rei. Veja Majestade, que delicadeza de desenho! Que combinação de cores! Apontavam para os teares vazios com receio de que os outros não estivessem vendo o tecido.
    O rei, que nada via, horrorizado pensou: "Serei eu um tolo e não estarei em condições de ser rei? Nada pior do que isso poderia acontecer-me!" Então, bem alto, declarou:

    - Que beleza! Realmente merece minha aprovação!! Por nada neste mundo ele confessaria que não tinha visto coisa nenhuma. Todos aqueles que o acompanhavam também não conseguiram ver a fazenda, mas exclamaram a uma só voz:

    - Deslumbrante!! Magnífico!!

    Aconselharam eles ao rei que usasse a nova roupa, feita daquele tecido, por ocasião de um desfile, que se ia realizar daí a alguns dias. O rei concedeu a cada um dos tecelões uma condecoração de cavaleiro, para seu usada na lapela, com o título "cavaleiro tecelão". Na noite que precedeu o desfile, os embusteiros fizeram serão. Queimaram dezesseis velas para que todos vissem o quanto estavam trabalhando, para aprontar a roupa. Fingiram tirar o tecido dos teares, cortaram a roupa no ar, com um par de tesouras enormes e coseram-na com agulhas sem linha. Afinal, disseram:

    - Agora, a roupa do rei está pronta.

    Sua Majestade, acompanhado dos cortesões, veio vestir a nova roupa. Os tecelões fingiam segurar alguma coisa e diziam: "aqui está a calça, aqui está o casaco, e aqui o manto. Estão leves como uma teia de aranha. Pode parecer a alguém que não há nada cobrindo a pessoa, mas aí é que está a beleza da fazenda".

    - Sim! Concordaram todos, embora nada estivessem vendo.

    - Poderia Vossa Majestade tirar a roupa? Propuseram os embusteiros. Assim poderíamos vestir-lhe a nova, aqui, em frente ao espelho. O rei fez-lhes a vontade e eles fingiram vestir-lhe peça por peça. Sua majestade virava-se para lá e para cá, olhando-se no espelho e vendo sempre a mesma imagem, de seu corpo nu.
    - Como lhe assentou bem o novo traje! Que lindas cores! Que bonito desenho! Diziam todos com medo de perderem seus postos se admitissem que não viam nada. O mestre de cerimônias anunciou:

    - A carruagem está esperando à porta, para conduzir Sua Majestade, durante o desfile.

    - Estou quase pronto, respondeu ele.

    Mais uma vez, virou-se em frente ao espelho, numa atitude de quem está mesmo apreciando alguma coisa.

    Os camareiros que iam segurar a cauda, inclinaram-se, como se fossem levantá-la do chão e foram caminhando, com as mãos no ar, sem dar a perceber que não estavam vendo roupa alguma. O rei caminhou à frente da carruagem, durante o desfile. O povo, nas calçadas e nas janelas, não querendo passar por tolo, exclamava:
    - Que linda é a nova roupa do rei! Que belo manto! Que perfeição de tecido!
    Nenhuma roupa do rei obtivera antes tamanho sucesso!

    Porém, uma criança que estava entre a multidão, em sua imensa inocência, achou aquilo tudo muito estranho e gritou:

    - Coitado!!! Ele está completamente nu!! O rei está nu!!

    O povo, então, enchendo-se de coragem, começou a gritar:

    - Ele está nu! Ele está nu!

    O rei, ao ouvir esses comentários, ficou furioso por estar representando um papel tão ridículo! O desfile, entretanto, devia prosseguir, de modo que se manteve imperturbável e os camareiros continuaram a segurar-lhe a cauda invisível. Depois que tudo terminou, ele voltou ao palácio, de onde envergonhado, nunca mais pretendia sair. Somente depois de muito tempo, com o carinho e afeto demonstrado por seus cortesões e por todo o povo, também envergonhados por se deixarem enganar pelos falsos tecelões, e que clamavam pela volta do rei, é que ele resolveu se mostrar em breve aparições... Mas nunca mais se deixou levar pela vaidade e perdeu para sempre a mania de trocar de roupas a todo momento.

    Quanto aos dois supostos tecelões, desapareceram misteriosamente, levando o dinheiro e os fios de seda e ouro. Mas, depois de algum tempo, chegou à notícia na corte, de que eles haviam tentando fazer o mesmo golpe em outro reino e haviam sido desmascarados, e agora cumpriam uma longa pena na prisão.

  • A Princesa e a Ervilha

    A Princesa e a Ervilha

    Era uma vez um príncipe que queria casar com uma princesa — mas tinha de ser uma princesa verdadeira. Por isso, foi viajar pelo mundo fora para encontrar uma, mas havia sempre qualquer coisa que não estava certa. Viu muitas princesas, mas nunca tinha a certeza de serem genuínas havia sempre qualquer coisa, isto ou aquilo, que não parecia estar como devia ser. Por fim, regressou a casa, muito abatido, porque queria uma princesa verdadeira.





    Uma noite houve uma terrível tempestade; os trovões ribombavam, os raios rasgavam o céu e a chuva caía em torrentes — era apavorante. No meio disso tudo, alguém bateu à porta e o velho rei foi abrir.


    Deparou com uma princesa. Mas, meu Deus!, o estado em que ela estava! A água escorria-lhe pelos cabelos e pela roupa e saía pelas biqueiras e pela parte de trás dos sapatos. No entanto, ela afirmou que era uma princesa de verdade.





    — Bem, já vamos ver isso — pensou a velha rainha. Não disse uma palavra, mas foi ao quarto de hóspedes, desmanchou a cama toda e pôs uma pequena ervilha no colchão. Depois empilhou mais vinte colchões e vinte cobertores por cima. A princesa iria dormir nessa cama.

    De manhã, perguntaram-lhe se tinha dormido bem.





    — Oh, pessimamente! Não preguei olho em toda a noite! Só Deus sabe o que havia na cama, mas senti uma coisa dura que me encheu de nódoas negras. Foi horrível.





    Então ficaram com a certeza de terem encontrado uma princesa verdadeira, pois ela tinha sentido a ervilha através de vinte edredons e vinte colchões. Só uma princesa verdadeira podia ser tão sensível.

    Então o príncipe casou com ela; não precisava de procurar mais. A ervilha foi para o museu; podem ir lá vê-la, se é que ninguém a tirou.

    Aqui tem uma bela história!

  • A História da Baratinha

    A História da Baratinha

    Dona Baratinha era muito trabalhadeira, gostava de manter sua casinha sempre limpa, arrumada e com flores nas janelas.
    Um dia varrendo o sótão, encontrou três moedas de ouro. Naquele tempo, esta quantia valia muito e Dona Baratinha ficou muito feliz.



    Com este dinheiro, poderia reformar a casa e comprar roupas novas. O resto do dinheiro guardou dentro de uma caixinha. Agora que estava rica e elegante, com a casa reformada e um bonito enxoval achou que estava na hora de se casar. Então, a tardinha, vestiu uma roupa bem bonita, fez um belo penteado e foi para a janela esperar os pretendentes.



    O primeiro a aparecer foi o cavalo, o jovem mais fino da cidade. O cavalo achou Dona Baratinha muito graciosa. Dona baratinha então perguntou:



    Quer casar com Dona Baratinha tão bonitinha e com dinheiro na caixinha?



    Sim!! Disse o cavalo.



    Mas Dona Baratinha tinha um sono muito leve e queria saber se o cavalo roncava alto.



    Como é que você faz de noite? perguntou Dona Baratinha.

    O cavalo relinchou tão forte que Dona Baratinha o recusou.



    Depois dele veio o boi, o galo, o cachorro, o burro e etc.



    Infelizmente todos eram muito barulhentos e não iam deixar D. Baratinha dormir.



    Já estava desistindo, quando apareceu D. Ratão muito elegante e charmoso.



    Ela então, resolveu tentar mais uma vez. Felizmente, D. Ratão tinha uma voz suave e a noite seu ronco era fraquinho :Qui, Qui, Qui...



    Dona Baratinha ficou muito satisfeita com o pretendente e ficaram noivos.
    Começaram os preparativos para o casamento.
    Dona Baratinha toda agitada preparava um delicioso banquete para a festa do casamento e D. Ratão ajudava nos convites. Porém D. Ratão era muito guloso e pediu a noiva que fizesse para a festa seu prato favorito, feijão com toucinho.
    O feijão com toucinho que Dona Baratinha preparava estava muito cheiroso e D. Ratão ia toda hora na cozinha tentar provar um pouquinho, mas sempre tinha alguém perto.
    Tudo já estava pronto, banquete, igreja e os convidados chegando.
    Dona Baratinha e D. Ratão muito elegantes e felizes estavam a caminho da Igreja, porém o noivo só pensava na feijoada. Então disse para Dona Baratinha que tinha esquecido as alianças em casa, e que assim que as pegasse a encontraria na igreja.
    D. Ratão voltou para casa e correu até a cozinha para comer um pouco do toucinho.
    Mas na afobação, escorregou e caiu dentro da panela do feijão morrendo afogado.
    Dona Baratinha ansiosa esperava na igreja o noivo que não retornava.
    Horas mais tarde, muito triste Dona Baratinha e alguns convidados decidiram voltar para casa e comer o banquete.
    Logo descobriram o fim trágico do seu noivo e todos lamentaram muito.
    A pobre Dona Baratinha chorou a noite inteira e desde aquele dia nunca mais preparou feijão com toucinho!

  • A Pequena Vendedora de Fósforos

    A Pequena Vendedora de Fósforos

    Fazia um frio terrível; caía a neve e estava quase escuro; a noite descia: a última noite do ano.
    Em meio ao frio e à escuridão uma pobre menininha, de pés no chão e cabeça descoberta, caminhava pelas ruas.
    Quando saiu de casa trazia chinelos; mas de nada adiantavam, eram chinelos tão grandes para seus pequenos pézinhos, eram os antigos chinelos de sua mãe.
    A menininha os perdera quando escorregara na estrada, onde duas carruagens passaram terrivelmente depressa, sacolejando.
    Um dos chinelos não mais foi encontrado, e um menino se apoderara do outro e fugira correndo.
    Depois disso a menininha caminhou de pés nus - já vermelhos e roxos de frio.
    Dentro de um velho avental carregava alguns fósforos, e um feixinho deles na mão.
    Ninguém lhe comprara nenhum naquele dia, e ela não ganhara sequer um níquel.
    Tremendo de frio e fome, lá ia quase de rastos a pobre menina, verdadeira imagem da miséria!
    Os flocos de neve lhe cobriam os longos cabelos, que lhe caíam sobre o pescoço em lindos cachos; mas agora ela não pensava nisso.
    Luzes brilhavam em todas as janelas, e enchia o ar um delicioso cheiro de ganso assado, pois era véspera de Ano-Novo.
    Sim: nisso ela pensava!
    Numa esquina formada por duas casas, uma das quais avançava mais que a outra, a menininha ficou sentada; levantara os pés, mas sentia um frio ainda maior.
    Não ousava voltar para casa sem vender sequer um fósforo e, portanto sem levar um único tostão.
    O pai naturalmente a espancaria e, além disso, em casa fazia frio, pois nada tinham como abrigo, exceto um telhado onde o vento assobiava através das frinchas maiores, tapadas com palha e trapos.

    Suas mãozinhas estavam duras de frio.
    Ah! bem que um fósforo lhe faria bem, se ela pudesse tirar só um do embrulho, riscá-lo na parede e aquecer as mãos à sua luz!
    Tirou um: trec! O fósforo lançou faíscas, acendeu-se.
    Era uma cálida chama luminosa; parecia uma vela pequenina quando ela o abrigou na mão em concha...
    Que luz maravilhosa!
    Com aquela chama acesa a menininha imaginava que estava sentada diante de um grande fogão polido, com lustrosa base de cobre, assim como a coifa.
    Como o fogo ardia! Como era confortável!
    Mas a pequenina chama se apagou, o fogão desapareceu, e ficaram-lhe na mão apenas os restos do fósforo queimado.
    Riscou um segundo fósforo.
    Ele ardeu, e quando a sua luz caiu em cheio na parede ela se tornou transparente como um véu de gaze, e a menininha pôde enxergar a sala do outro lado. Na mesa se estendia uma toalha branca como a neve e sobre ela havia um brilhante serviço de jantar. O ganso assado fumegava maravilhosamente, recheado de maçãs e ameixas pretas. Ainda mais maravilhoso era ver o ganso saltar da travessa e sair bamboleando em sua direção, com a faca e o garfo espetados no peito!
    Então o fósforo se apagou, deixando à sua frente apenas a parede áspera, úmida e fria.
    Acendeu outro fósforo, e se viu sentada debaixo de uma linda árvore de Natal. Era maior e mais enfeitada do que a árvore que tinha visto pela porta de vidro do rico negociante. Milhares de velas ardiam nos verdes ramos, e cartões coloridos, iguais aos que se vêem nas papelarias, estavam voltados para ela. A menininha espichou a mão para os cartões, mas nisso o fósforo apagou-se. As luzes do Natal subiam mais altas. Ela as via como se fossem estrelas no céu: uma delas caiu, formando um longo rastilho de fogo.
    "Alguém está morrendo", pensou a menininha, pois sua vovozinha, a única pessoa que amara e que agora estava morta, lhe dissera que quando uma estrela cala, uma alma subia para Deus.
    Ela riscou outro fósforo na parede; ele se acendeu e, à sua luz, a avozinha da menina apareceu clara e luminosa, muito linda e terna.
    - Vovó! - exclamou a criança.
    - Oh! leva-me contigo!
    Sei que desaparecerás quando o fósforo se apagar!
    Dissipar-te-ás, como as cálidas chamas do fogo, a comida fumegante e a grande e maravilhosa árvore de Natal!
    E rapidamente acendeu todo o feixe de fósforos, pois queria reter diante da vista sua querida vovó. E os fósforos brilhavam com tanto fulgor que iluminavam mais que a luz do dia. Sua avó nunca lhe parecera grande e tão bela. Tornou a menininha nos braços, e ambas voaram em luminosidade e alegria acima da terra, subindo cada vez mais alto para onde não havia frio nem fome nem preocupações - subindo para Deus.
    Mas na esquina das duas casas, encostada na parede, ficou sentada a pobre menininha de rosadas faces e boca sorridente, que a morte enregelara na derradeira noite do ano velho.
    O sol do novo ano se levantou sobre um pequeno cadáver.
    A criança lá ficou, paralisada, um feixe inteiro de fósforos queimados. - Queria aquecer-se - diziam os passantes.
    Porém, ninguém imaginava como era belo o que estavam vendo, nem a glória para onde ela se fora com a avó e a felicidade que sentia no dia do Ano­Novo

  • O Patinho amarelinho

    O Patinho amarelinho

    Era uma vez um lindo patinho amarelo.
    Um dia ele saiu de casa bem cedinho e foi passear pela estrada.
    A manhã estava clara, o céu azul e havia muitos animaizinhos passeando.
    Não tinha ainda dado muitos passos e viu um gato engraçadinho.
    O gato que era muito bem educado, cumprimentou-o assim:
    - Miau, miau!
    O patinho ficou encantado e disse:
    - Oh! Que modo bonito de falar tu tens, Sr. Gatinho. Quem me dera falar assim !
    - É muito fácil, patinho, respondeu o gato. Vamos experimentar?
    O patinho experimentou dizer "miau". Não conseguiu. Experimentou de novo, experimentou muitas vezes! Foi impossível!
    Então disse:
    - É muito difícil, Sr. Gatinho! Isto não é conversa para patinhos! Despediu-se do gato e continuou a passear.
    Foi andando, andando e encontrou-se com Dona Galinha Cacarijó.
    - Có, có, có, disse Dona galinha.
    O patinho ficou encantado:
    - Oh! Que modo bonito de falar a senhora tem, Dona Galinha!
    - Experimenta falar assim, patinho.
    O patinho tentou imitar Dona Galinha. Fez tudo que pode e nada conseguiu. Depois de algum tempo, já bem desanimado, disse:
    - Muito obrigado pela ajuda, Dona galinha, mas isto é muito difícil para patinhos.
    Despediu-se da Dona Galinha e continuou o seu caminho. Andou, andou e entrou na mata. De repente, ouviu a voz mais linda do mundo:
    - Piu, piu, piu!...
    - O patinho ficou encantado!
    Olhou para cima e lá estava, no galho da árvore, um lindo passarinho de penas coloridas.
    - Que modo de falar bonito tu tens, passarinho! Quem me dera falar como tu!
    - Experimenta, patinho! Experimenta falar assim!
    O patinho abriu o bico. Fez tudo que pôde para dizer "piu, piu, piu!". Foi impossível. Já estava desanimado. Despediu-se e voltou triste para casa.
    No meio do caminho encontrou Dona Pata.
    - Quá, quá, quá, disse a pata.
    - Oh! mãe, disse o patinho. Será que posso falar como a senhora?
    - Experimenta, filhinho, experimenta...
    O patinho abriu o bico. Que vontade de falar como a mãe! E se não conseguisse?...
    Não falou como gato, nem como galinha, nem como passarinho.
    Será que poderia falar como pato? Fez um esforço, e...
    - Quá, quá, quá...
    - Muito bem, filhinho ! disse-lhe a mãe , toda feliz.
    O Patinho ficou alegre, muito alegre.
    Depois, juntinho com a mãe, voltou para casa e a todo instante, abria o bico para dizer mais uma vez:
    - Quá, quá, quá...